Temos Bispo! Como ex-aluno dos Missionários do Sagrado Coração, da Escola Apostólica, Seminário de Pirassununga, não poderíamos deixar de externar nossa alegria pela posse de Dom Caetano Ferrari como 5º Bispo diocesano, neste domingo, às 15 horas, na catedral do Divino Espírito Santo de BauruDom Caetano teve a sua vocação sacerdotal despertada no Seminário de Pirassununga, onde ele estudou nos anos 56 a 59, tendo como colegas: Vitor Martinello, Clodoaldo Meneguello, Aderson Bibi, Gino Crês, João Bannwart, José Machado, José Romão, Lázaro Penteado Fagundes, Manoel Pontes, Marcos Crepaldi, Oswaldo Gil de Souza, Paulo de Castro, Padre Ednei Rodrigues, Antônio Do Ó e Sérgio Riehl.
Após alguns anos de Pirassununga, Caetano sai do Seminário, indo trabalhar num banco em São Paulo, exercendo um cargo de confiança. Largou tudo. Como São Francisco, renunciou a todos os bens. Sendo sua raiz vocacional a franciscana, entrou no Seminário de Santo Antônio, em Agudos. Foi ordenado padre em 1970, pelo Bispo de Lins, Dom Pedro Paulo Koop, missionário do Sagrado Coração que, por muito tempo, foi pároco da Igreja Santa Teresinha de Bauru.
Levado pela empolgação, costuma fazer homilias longas. Gosta de futebol. É um ardoroso torcedor do São Paulo Futebol Clube.
Aproveitando esse desvio futebolístico, esse aspecto mais humano do nosso novo Bispo, com todo respeito, tomamos a liberdade de através do túnel do tempo, lembrar estes fatos ocorridos, quando aluno no Seminário de Pirassununga.
Caetano era dois anos mais velho que os “pequerruchos” de 12 anos. Sempre era escolhido para jogar no gol. De camisa preta, gola fechada, fechava também o gol. Assemelhava-se ao goleiro russo da década de 50 que pegava todas naqueles idos. Seu tamanho fazia a diferença e assustava os atacantes adversários. Jogando contra a molecada do bairro, era sempre o mais visado com palavrões e chutes desleais dos “inimigos” desalmados. Chegavam até a ameaçar de cortar-lhe a cabeça se continuasse defendendo tudo. Nós a tudo ouvíamos, mas nunca dizíamos nada para não assustar o nosso valoroso guarda-metas.
Tínhamos um grande respeito por ele, pela sua conduta sempre firme no desempenho de suas funções de seminarista, colega e goleiro. Sem que soubesse, era o nosso ídolo, o nosso herói. Não sabemos qual o critério de nossos padres mestres quanto à avaliação da vocação dos alunos na época. Ficamos, porém, muito tristes, quando, um dia, o Caetano nos deixou a nós e ao Seminário de Pirassununga. O motivo, segundo comentários, tinha sido o diagnóstico de falta de vocação. Anos depois, soubemos que a saída o deixou muito abalado. Persistente e fiel, porém, ao chamado vocacional, logo reencontrou o caminho de volta com os Franciscanos de Agudos, mais perto de Pirajuí, sua terra. Os caminhos de Deus são perfeitos!
Soubemos desta história muito tempo depois e nada nos alegrou mais do que saber que ali estava um jovem de vocação.
Temos certeza de que a Igreja ganhou, de fato, um verdadeiro sacerdote, e, neste domingo, em nossas orações, peçamos a São Francisco que interceda junto a Deus para que o nosso Bispo, agora na diocese de Bauru, continue sendo o colega fervoroso e exemplar de sempre e que faça com que ele avance a barca de São Pedro para águas mais profundas.
Gino Crês