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PIB pode subir no segundo trimestre

Márcia De Chiari
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A retração da economia brasileira ocorrida nos últimos dois trimestres e que caracteriza uma recessão técnica pode já ter ficado para trás. Entre abril e junho, consultorias privadas estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer entre 1% e 2,5% sobre o período anterior, puxado especialmente pela produção industrial.

Apesar de a indústria responder por 28% do PIB e os serviços terem maior peso (65%), é a produção das fábricas que dará o tom do crescimento dos próximos meses. Isso porque a indústria foi o setor que mais sentiu o tranco da crise a partir do fim do ano passado.

Amanhã será conhecido o desempenho da indústria de abril. A expectativa é de elevação de até 2,4% da produção industrial dessazonalizada em relação a março, segundo estimativa da economista-chefe do ING Bank, Zeina Latif. Se essa projeção for confirmada, a indústria continuará a trajetória de recuperação apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre janeiro e março, a indústria cresceu 4,8%, descontados os efeitos típicos dessa época do ano.

“Se a indústria tiver crescido 2% em abril, fechará o primeiro quadrimestre com alta de 7%”, calcula o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, que faz uma projeção otimista, porém mais modesta que o ING Bank para produção de abril. Ele pondera que esse crescimento ainda será insuficiente para recuperar a queda de 20% na produção industrial acumulada no último trimestre do ano passado. “A volta da produção industrial ao nível pré-crise deve ocorrer no último trimestre deste ano”, prevê Borges. Ele argumenta que dois segmentos chave da indústria, o de bens de capital e o de bens intermediários, enfrentam hoje forte retração na produção e emperram o ritmo de crescimento da indústria em geral. Juntos, esses dois segmentos respondem por 60% da produção industrial.

A produção de aço, por exemplo, teve queda na faixa de 40% no primeiro quadrimestre deste ano em relação a igual período de 2008, segundo dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). Borges lembra que o setor sofre de perto os efeitos da recessão porque metade da sua produção é exportada.

No caso dos bens de capital, o faturamento real caiu quase 25% no primeiro quadrimestre em relação ao mesmo período de 2008, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Foi uma das maiores retrações do setor dos últimos anos e o pior é que não vemos sinal de recuperação: tudo indica que maio será péssimo”, afirma o diretor secretário da entidade, Carlos Pastoriza. Se, a partir de maio, o setor voltasse ao nível de 2008, o que é improvável na opinião do empresário, o ano fecharia com queda de, no mínimo, 8%.

Fabio Silveira, diretor da RC Consultores, projeta queda de 15% na produção de bens de capital neste ano. Ele argumenta que a compra de máquinas e equipamentos pelos setores de bens de consumo e de bens intermediários foi interrompida ou adiada em razão da grande ociosidade nas fábricas desses segmentos.

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