Polícia

Rapaz teve ajuda para matar irmão

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A morte de um adolescente, esfaqueado anteontem pelo próprio irmão, foi esclarecida pelo setor de investigação do 1.º Distrito Policial (1.º DP) de Bauru. De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da unidade, o montador de móveis Wilson Moreira Marçal, 23 anos, se entregou na manhã de ontem e, depois de interrogado, acabou revelando a participação de mais uma pessoa no crime. O borracheiro Roberto Carlos Custódio Moreira, 18 anos, foi detido e é apontado como co-autor do homicídio. Os dois envolvidos tiveram prisão temporária decretada pela Justiça.

O corpo de adolescente Luciano Moreira Marçal, 16 anos, foi encontrado no final da noite de anteontem, num pasto do bairro rural de Matozinho, às margens da rodovia Bauru-Marília. Ele foi espancado e esfaqueado. De acordo com Silberto, havia sinais de 17 facadas pelo corpo do adolescente, duas delas em áreas vitais - uma atingiu a medula cervical e outra perfurou o pulmão.

O pai da vítima e do rapaz que confessou o crime, o padeiro Tavarino Marçal, foi quem localizou o corpo na noite de anteontem. Ele contou que o filho mais velho telefonou para casa e, friamente, afirmou que o irmão “já era”. Na manhã de ontem, o montador se entregou à polícia.

Silberto informa que a história apresentada inicialmente por Wilson - a de que teria agido sozinho - não se sustentava. “Havia muitos pontos de contradição e foi mostrado que a versão não conferia com a realidade”, conta. O montador acabou informando o nome do rapaz que teria participado do crime. Ainda na manhã de ontem, os policiais detiveram Moreira.

Ele, inicialmente, negou a participação. Mas depois informou que apenas levou os irmãos até o local. Segundo Silberto, ao final, os policiais apuraram que o borracheiro teria ajudado o montador a segurar e esfaquear o adolescente.

Na tarde de ontem, os investigadores do 1.º DP, além de Silberto e do delegado Dinair José da Silva, levaram os dois até o lugar onde o adolescente foi morto. Separadamente, indicaram à equipe o local exato onde ocorreu o homicídio. “Em momentos diferentes e separados, eles apontaram o mesmo lugar”, afirma Silberto. No local, havia marcas de sangue e tecido humano. A faca de cozinha, com 20 centímetros de lâmina utilizada no crime, um gorro e pedras com marcas de sangue que foram encontradas no pasto, foram apreendidos.

Wilson e Moreira foram levados novamente ao 1.º DP e interrogados. O delegado solicitou a prisão temporária por 30 dias dos dois, que foi concedida pela Justiça. Marçal e Moreira foram recolhidos à Cadeia Pública de Duartina com a recomendação de permanecerem em celas separadas. “Um já ameaçou o outro”, conta Silberto.

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Motivo fútil

O delegado Silberto Sevilha Martins conta que instaurou inquérito de homicídio doloso triplamente qualificado – motivo fútil, por ser cometido contra parentes e por impossibilidade de defesa da vítima. De acordo com Silberto, o que teria levado Wilson a matar seu irmão mais novo foi um furto na residência do montador, que ele atribuiu ao adolescente. Luciano teria subtraído um celular e outros objetos da casa do irmão.

Silberto informa que Wilson alegou que o adolescente era usuário de drogas e que causava transtornos à família, inclusive teria agredido a mãe deles. O montador de móveis também contou ao delegado que o adolescente estaria envolvido com o tráfico de drogas e teria furtado motocicletas. Aliás, foi dessa forma que ele teria atraído a vítima. “Segundo o que ele nos informou, Wilson contou ao irmão que iria furtar uma moto e pediu sua ajuda”.

No carro do montador foi encontrada uma corda, que, de acordo com o delegado, seria utilizada para amarrar o adolescente. “Moreira relatou que Wilson disse para ele que a intenção era amarrar o garoto e jogar em um rio. Mas não soube informar o que levou a desistir da idéia”, diz Silberto.

O delegado observa que a denúncia de furto na casa do montador e a participação do adolescente em furtos de motocicletas serão apuradas.

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