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Mancha de óleo pode indicar que não houve explosão da aeronave


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Brasília - A Força Aérea Brasileira (FAB) identificou na madrugada de ontem mais destroços do Airbus da Air France, sendo uma peça metálica de 7 m de diâmetro e outros dez objetos não identificados. As equipes de busca também registraram uma mancha de óleo com extensão de 20 km, que indica que não deve ter ocorrido explosão em vôo.

A posição dos destroços, aliada ao estudo das correntezas do Atlântico, podem levar ao ponto exato em que o avião chocou-se com o mar.

Segundo o ministro Nelson Jobim (Defesa), não há dúvida de que o avião caiu próximo de onde foram achados os destroços - que foram avistados a noroeste do arquipélago de São Pedro e São Paulo.

As correntes marinhas estariam levando os destroços em direção ao arquipélago, disse o ministro. Essa informação auxiliará na busca por corpos, caixas-pretas e pedaços da aeronave submersos, em especial as turbinas, fundamentais à investigação. Os destroços não foram recolhidos hoje, mas devem ser retirados amanhã por dois navios da Marinha brasileira.

A grande quantidade de óleo indica que a aeronave não sofreu uma grande explosão durante o vôo.

Assim, é possível praticamente descartar a hipótese de uma explosão nos tanques de combustível ou uma explosão devastadora, provocada por uma bomba de grande potência por exemplo, que consumisse o querosene no ar.

“Uma grande combustão certamente diminuiria a quantidade de combustível no mar”, afirma Ronaldo Jenkins, especialista em segurança de vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea).

Os restos do avião achados ontem estavam concentrados em duas trilhas distantes entre si 230 km e longe dos primeiros destroços, encontrados anteontem.

As buscas agora estão concentradas num raio de 200 km traçado a partir dos destroços localizados no primeiro dia. Não foi possível identificar marcas da Air France, mas a equipe de investigação acredita que os destroços são do Airbus.

Principal evidência encontrada até aqui, a peça metálica de 7 metros pode ser parte da cauda ou de uma lateral do avião, segundo as primeiras informações. A estrutura será fundamental para esclarecer que tipo de avaria o Airbus sofreu.

Os destroços serão levados para Fernando de Noronha e, em seguida, para Recife. Segundo Jobim, as peças serão entregues à França, país responsável pelas investigações.

Até a tarde de ontem, a FAB continuava a trabalhar com a hipótese de haver sobreviventes do vôo. “Até que a aeronave seja identificada e a análise dos destroços indique que, com aqueles impactos, é tecnicamente impossível ter sobrevivente, nós vamos sustentar o salvamento”, afirmou o subchefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, coronel Jorge Amaral.

O ministro disse ainda que os corpos podem demorar até seis dias para voltar à superfície, depois de terem submergido. Alguns, segundo Jobim, podem nunca aparecer na superfície da água. Procurá-los no fundo não é uma possibilidade, disse.

O governo brasileiro recebeu a oferta de helicópteros americanos, que têm maior alcance, segundo Jobim. Ele também afirmou que o navio mercante francês que estava na região se retirou após a chegada das embarcações brasileiras.

Desde o dia seguinte ao sumiço do Airbus, a FAB vem adotando um tom abaixo do usado por Jobim. Antes da entrevista do ministro da Defesa, o coronel Amaral declarou não ser possível descartar a hipótese de explosão. “O óleo fica dentro de tambores. Pode ser que o tambor tenha caído inteiro”, afirmou o coronel.

A FAB também disse ontem que não era possível afirmar se o Airbus estava fora da altitude prevista no plano de vôo. “Nós não temos como confirmar ainda, porque é fator de investigação de acidente.”

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