Tribuna do Leitor

Reeleição, corrupção e impunidade no Brasil


| Tempo de leitura: 4 min

Assistimos há pouco uma aberração no Congresso Nacional com a eleição de Sarney PMDB (um vez presidente da república; 1 vez governador; 2 vezes deputado federal; 4 vezes senador e sendo deste 3 vezes presidente do Senado, e, considerando a última eleição, completará 49 anos de mandato político), e Temer do PMDB (4 vezes deputado federal, sendo destes 3 vezes presidente da Câmara Federal, também completará 16 anos de mandato).

Como é possível conceber que estes cidadãos sejam eleitos nestas casas com 513 deputados na Câmara e 81 senadores? Será que não tinha mais ninguém que pudesse ser eleito nestas casas? Por que só eles? E agora, depois da posse, o que temos assistido diariamente no Congresso? E quais os desmembramentos dos acordos espúrios, das negociatas dos partidos venais que possibilitou isto tudo? Perguntas é o que não falta.

Apenas para lembrar, aquele caso do deputado Edmar Braga, do DEM, aquele mesmo do Castelo de 25 milhões de reais de Minas Gerais, lembram-se? Pois é, ele ganhou a corregedoria - pasmém a corregedoria, encarregada de julgar falta de decoro parlamentar da Câmara, premio este recebido pelo DEM por ter apoiado o Temer.

E ainda na semana passada, o senador Fernando Collor de Mello - PTB, aquele mesmo que foi cassado quando presidente da República, também ganhou em troca do apoio ao Sarney a presidência da comissão do Senado de infraestrutura (Collor será responsável pelo encaminhamento das ações do PAC-Programa de aceleração do Crescimento, do governo federal, previsão de + ou - R$ 300 bilhões de reais).

E depois de tudo, o senador Renan Calheiros do PMDB (aquele mesmo acusado de pagar pensão pra filha com dinheiro dado por um lobista de uma multinacional), acusado de falsidade ideológica no STF, virou líder do PMDB no senado.

E agora mesmo o caso divulgado pela Polícia Federal na operação “Castelo de Areia”, onde a construtora Camargo Correa é acusada de ter dado dinheiro ilegal para campanha política de vários partidos, entre eles: PMDB, PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT E PP. E a pergunta que faço é: até quando vamos agüentar tanto desmando, indignação e tanta impunidade?

A conclusão a que se chega é que as grandes culpadas disso tudo é a impunidade e a reeleição, em todos os níveis: municipal, estadual e federal, e não só no Executivo mas também no Legislativo. Apenas como exemplo, se pegarmos uma pequena amostra dos atuais mandatários reeleitos no Congresso Nacional teremos a seguinte situação de tempo de mandatos:

Marco Maciel: total de mandatos: 48 anos .

Renan Calheiros: 28 anos.

Fernando Collor de mello: 23 anos.

Agripino Maia: 36 anos.

Eduardo Suplicy: 36 anos.

Heraclito Fortes: 32 anos.

Jader Barbalho: 33 anos.

Campos Machado: 20 anos.

Edmar Batista Moreira: 12 anos.

José Carlos Aleluia: 20 anos.

José Genoino: 24anos.

(já considerando o mandato atual)

Estes são aqueles mesmos que em toda eleição vêm falar que a Educação, a Saúde, o Transporte etc etc precisam mudar.

O melhor exemplo é o do senador Sarney, faz “só” 49 anos que ele tem mandato, já foi presidente da República, apoiou Itamar Franco e Fernando Henrique na Presidência e continua no poder apoiando o Lula.

O poder vicia, é a cocaína do político.

Ninguém agüenta mais isto. Basta!

Citei acima apenas um número reduzidíssimo de parlamentares. Na realidade, são centenas que tem mandatos há anos. E o detalhe é que a maioria deles nunca teve nenhuma outra atividade profissional ou empresarial, e o que se vê sempre é o MPF e o STF investigando o enriquecimento ilícito, o fabuloso patrimônio amealhado por eles, o que sabemos ser impossível conquistá-lo apenas com o salário de parlamentares. Logo, de onde será que vem tanto dinheiro?

Pelo fato de apoiar e de ser da base aliada do governo federal, e como fruto do pagamento deste apoio,o PMDB, maior partido do Congresso, estende seus tentáculos para empresas públicas como Petrobrás, Eletrobrás, Infraero, Fundos de Pensão etc e aí na indicação e nomeação de seus apaniguados achacam estas empresas, arrecadam recursos para as próximas eleições, se reelegem e assim está fechado o ciclo predatório, que solapa o erário, desola a sociedade brasileira, perpetua estes políticos no poder e, o que é pior, tudo isto abrigados na legislação e na Constituição Federal que os protegem. E como mudar, ou pelo menos dificultar estes práticas? Reforma política e eleitoral, já!

Se quisermos mudar este situação precisaremos nós, da sociedade civil organizada, juntamente com a OAB, ABI, Confederações, Sindicatos etc fazer uma emenda popular, prevista na Constituição, para acabar com a reeleição, em todos os níveis, priorizar o julgamento dos crimes cometidos por políticos, puni-los exemplarmente e bani-los da vida pública. Do contrário, os senhores deputados e senadores não terão nenhum interesse em fazê-lo.

Carlos E.S. Padilha - empresário

Comentários

Comentários