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Trabalhadores protestam em Iacanga

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 170 trabalhadores rurais que prestam serviço na Usina Diamante, do Grupo Cosan, em Iacanga, pararam as atividades, ontem, para reivindicar salários em dia e melhoria nos alojamentos. Vindos de Pernambuco, há dois meses eles trabalham na cidade e afirmam que os pagamentos não seriam feitos conforme o combinado e a alimentação oferecida seria de péssima qualidade. Reforçam que uma barata já teria sido encontrada no prato de um dos colegas.

Encapuzado, um dos líderes do grupo, que não quis se identificar por medo de demissão - ele diz que trabalhadores já foram desligados do serviço por reivindicar melhorias -, conta que tiveram problemas para receber o salário dos dois últimos meses. “O pagamento feito na sexta-feira (anteontem) foi liberado apenas à noite. Tivemos que contratar um táxi, porque não temos transporte da usina para ir até a cidade receber. O caixa eletrônico não tinha dinheiro, então tivemos que ir até Bauru”, declara.

“No primeiro mês, o caixa eletrônico liberou apenas R$ 500,00 (por saque). O restante só seria liberado no dia seguinte. Recebemos de R$ 600,00 a R$ 800,00 e temos que ir duas vezes na cidade para sacar o dinheiro”, acrescenta.

O alojamento dos trabalhadores fica localizado a aproximadamente 10 quilômetros de Iacanga. “Temos famílias em Pernambuco que esperam o dia do pagamento para ter dinheiro. Liberando só à noite e ainda fazendo a gente ir duas vezes para a cidade, não tem como mandar o pagamento e sobra menos”, afirma o líder.

A alimentação é outra reivindicação dos trabalhadores. Segundo o grupo, o cardápio não varia: todos os dias seriam servidos arroz, feijão e uma mistura que é ovo ou moela, e ainda faltaria higiene na preparação dos alimentos. “Já cheguei a encontrar uma barata no meu prato”, conta um dos trabalhadores. “Sem contar que o refeitório é sujo e cheio de moscas”, frisa outro colega.

Contato com os familiares se tornou possível há apenas uma semana. Eles contam que, há sete dias, foi colocado um telefone no alojamento e para usá-lo, os trabalhadores pagam R$ 1,00 por minuto. “Antes, tínhamos que esperar 30 dias para ligar para a família”, revela o líder encapuzado. “Queremos apenas os nosso direitos. Somos ameaçados quando queremos algo. Aqui, somos todos pais de família, não somos bandidos ou criminosos, só queremos o que temos direito”, finaliza o trabalhador.

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Outro lado

Por meio da assessoria de imprensa, o Grupo Cosan informa que quando há recrutamento para a safra da cana, que termina em novembro, uma equipe do grupo vai até as cidades dos trabalhadores. Todos os contratados passam por exame médico e saem rumo a São Paulo cientes do salário e sistema de pagamento.

Segundo a assessoria, todos os demonstrativos de pagamento referente ao trabalho do mês de maio foram entregues na data combinada. Além disso, informou que o limite de retirada do dinheiro, por meio de caixa eletrônico, varia de acordo com cada banco.

Sobre os alojamentos, a assessoria informa que costumam ser distante das cidades porque ficam próximos às áreas de plantação. Mas, em todos os dias de pagamento, o Grupo Cosan disponibiliza um ônibus para levar os trabalhadores às cidades para os saques. Todos os pagamentos são feitos pelo sistema de conta salário.

Já em relação às ameaças e demissões, a assessoria afirma que reivindicação salarial não acarreta demissões e não há registros, no grupo, de desligamentos por esse motivo. Eventuais saídas acontecem porque as pessoas não se adaptam e querem voltar para casa.

Na questão da alimentação, uma empresa privada é contratada. “As refeições fornecidas pela companhia são elaborada por uma equipe de nutricionistas, garantindo que os colaboradores tenham uma alimentação balanceada e adequada”, afirma a assessoria, por meio de nota.

Os alojamentos e refeitórios têm autorização da Vigilância Sanitária dos municípios. Apesar disso, a empresa afirma que as reclamações serão verificadas. “Os alojamentos da empresa seguem integralmente as regras contidas nas Normas Regulamentadoras 24 e 31, da portaria n.º 3.214, com todas as condições de conforto e higiene, sendo consideradas, inclusive, referencias no setor”, diz a nota da empresa.

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