Mesmo com as escolas especializadas em oferecer capacitação profissional registrando um bom momento e uma procura cada vez maior pelos cursos, as empresas ainda enfrentam dificuldades na hora de contratar mão-de-obra especializada. De acordo com alguns empresários consultados, a empresa já não tem como treinar aquele trabalhador sem experiência. “Você capacita um, dois. Mas se a necessidade da empresa for maior, funcionários “crus” na atividade representam perda de produtividade”, explica um empresário que preferiu ter seu nome preservado.
Gislaine Milena Casula Magrini, analista de Recursos Humanos (RH), explica que a dificuldade maior das empresas que procuram a agência em que ela trabalha é encontrar profissionais com formação específica. Ela explica que, às vezes, a procura chega a se estender por semanas até que apareça um candidato se encaixe nas exigências.
Magrini explica que para os cargos mais simples nas empresas, como para as linhas de produção, às vezes a oferta de profissionais chega a superar a demanda. “Por diversas vezes, atendemos empresários de outras regiões e até de outros Estados que nos procuram com a intenção de levar para trabalhar nas suas empresas os profissionais existentes aqui”, conta.
A dificuldade de encontrar profissionais para vagas específicas é relatada pelo empregador Edson Ricardo Fernandes. De acordo com ele, hoje a empresa se vê obrigada a contratar muita gente desqualificada para as funções existentes. “A solução é oferecer treinamento na própria empresa. Para aqueles que demonstrem o interesse em se especializar, a empresa chega a oferecer uma ajuda de custo ao funcionário para ajudá-lo a bancar o curso”, conta.
Francisco de Assis Fonseca, que trabalha com Fernandes há alguns anos, não teve dificuldade para ser contratado. Com experiência na função e curso de especialização feito na escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Fonseca, que trabalha como operador de empilhadeira, conta que na época fez o curso na intenção de arrumar o emprego. Mas depois disso, para se aperfeiçoar já participou de outros cursos. “As máquinas vão mudando, os comandos e as funções exigem atualização constante”, garante.
Aperfeiçoamento
Éverton Moreno Aro, proprietário de uma oficina mecânica em Bauru, conta que já participou de diversos cursos no próprio Senai na intenção de investir em sua capacitação. “Fiz mecânica automotiva, injeção eletrônica e eletrônica embargada, tudo para oferecer cada vez mais serviços de qualidade na oficina”, conta.
Além de procurar investir na sua capacitação, Aro também procura oferecer conhecimento cada vez mais apurado para seus funcionários. “Todos que trabalham comigo já fizeram cursos e estão em constante aperfeiçoamento. Cada carro lançado tem uma novidade, é preciso estar atualizado e capacitado para o trabalho”, garante. O aprendiz da oficina também recebe apoio para se capacitar. Através de um programa do Senai, ganha a oportunidade de se capacitar ainda jovem.
Responsável pelo departamento de Recursos Humanos de uma grande fabricante de utensílios plásticos domésticos instalada em Bauru e que inclusive exporta seus produtos para diversos países, Débora Morales Massarente Bincoleto explica que a empresa sempre encontra dificuldades na hora de contratar pessoal.
“Recentemente foi aberta uma vaga na área administrativa e, mesmo com anúncio em jornal, recebemos apenas três currículos”, conta. Com o objetivo de acabar com o problema da falta de mão-de-obra, a empresa resolveu incentivar os próprios funcionários a se capacitar profissionalmente, participando de cursos para concorrerem as futuras vagas que surgem na empresa.
“Já preenchemos diversas vagas com profissionais que inicialmente foram contratados para serem auxiliares de produção, mas que demostraram interesse em crescer dentro da empresa. Se houver o interesse do funcionário, a empresa pode ajudar na capacitação dele para o preenchimento da vaga, se responsabilizando pelo pagamento total ou parcial do curso necessário”, explica Bincoleto.
De acordo com ela, a maneira encontrada pela empresa, além de ser uma forma de valorizar o funcionário oferecendo a oportunidade de crescer na empresa, torna menos complicada a busca por funcionários que desempenhem funções mais simples.
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Metade das pessoas que buscam qualificação opta por informática
O curso básico. Sem demostrar conhecimentos em informática, dificilmente um trabalhador conseguirá uma recolocação no mercado de trabalho. A maior parte sabe disso, ou toma conhecimento da necessidade quando é desclassificado logo no início da disputa por uma vaga.
Além de exigirem pouca escolaridade, os cursos são oferecidos de graça ou por um preço bastante acessível, mesmo para quem está desempregado.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um terço das 24 milhões de pessoas que participaram do levantamento freqüentaram um curso de informática. Além disso, 45,5% das pessoas entrevistadas estavam cursando informática em 2007, quando foi realizado o levantamento.
Outro dado interessante apontado pela pesquisa: as mulheres eram 55,7% das pessoas que freqüentavam, em 2007, um curso de qualificação profissional, enquanto os homens eram 44,3%. No Sistema “S” (Sesi, Senai, Senac e outros) estavam 10,6% das mulheres (289 mil) e 19,1% dos homens (415 mil). Já nas instituições de ensino particular concentravam-se 61,6% delas (1,7 milhão) e 61,3% deles (1,3 milhão). Nas instituições de ensino público, o contingente de mulheres (653 mil ou 24,0% do total) foi quase o dobro dos homens (356 mil, ou 16,4% deles).
A pesquisa aponta também que mais da metade de quem procura um curso profissionalizante prefere os que são oferecidos durante o dia. Apenas 30,6% dos que freqüentavam um curso profissionalizante em 2007 e foram ouvidos pela pesquisa estavam matriculados em curso noturno.
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Curso técnico voltado à saúde é muito procurado
De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios (Pnad) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em maio, a área de saúde tem despertado maior interesse nos trabalhadores na hora de buscar uma especialização.
Dos 5,4 milhões de pessoas que responderam ao questionário da pesquisa - e que até o momento haviam freqüentado um curso profissionalizante -, 20,2% havia optado por freqüentar um curso de capacitação ligado à saúde. Em 2007, ano em que a pesquisa foi feita, das cerca de 1 milhão de pessoas que estavam matriculadas em curso de capacitação profissional, 29,4% estavam na área de saúde.
Em Bauru, as opções de cursos ligados à saúde se multiplicam nas escolas especializadas em capacitação profissional. Enfermagem, enfermagem do trabalho, técnico em farmácia, higiene dental e tantos outros são oferecidos para os interessados. No Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) o interessado pode, inclusive, fazer o curso através de bolsas de estudo oferecidas pela instituição. Para tanto, o aluno precisa preencher os requisitos necessários para ser contemplado com uma das bolsas 100% gratuitas.
Nenhuma entidade em Bauru oferece o curso gratuitamente para os interessados. Em Bauru, o Instituto Ana Nery é uma das escolas que tem a maior parte dos seus cursos voltados para a área de saúde. Dependendo da instituição escolhida pelo aluno, ele irá gastar em média R$ 300,00 para estudar. A maior parte das entidades já oferece material necessário incluso no preço das mensalidades.
Dinheiro
O custo mensal da capacitação é o principal motivo de abandono do curso. A constatação também está na pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os números, 10,2% das 24 milhões de pessoas que participaram da pesquisa disseram ter começado um curso de capacitação, mas saíram antes de sua conclusão.
25,5% destes mais de 2,4 milhões de pessoas justificaram a falta de dinheiro para garantir o pagamento das mensalidades como a causa principal da desistência. Essa justificativa foi a mais presente na região Sudeste do País, atingindo 29,4%.