Oportuno o título da peça escrita pela bauruense Alba Simões e muito bem dirigida pelo ator Carlos Martins, que demonstrou, acima de tudo, muita sensibilidade ao descobrir, juntar e revelar jovens talentos. Isso sem falar do papel interpretado pela atriz bauruense Susan Lopes, que revelou o seu outro lado, visto que em seu último projeto ela precisou anular o seu próprio ego para animar o inigualável boneco IT, que já foi aplaudido por mais de 10 mil pessoas. A peça estava tão envolvente que o público deve ter viajado pelos trilhos da história. Que venham outras apresentações! E se possível, utilizando todos os espaços da Estação. Aliás, é um espetáculo que pode ser levado para outras cidades paulistas que também tiveram a sua história construída nos bons tempos da Noroeste... Sorocabana e da Ferrovia Paulista.
O Ùltimo Vagão configura-se também como um legítimo manifesto cultural dos artistas bauruenses porque mostra a falta de apoio e de espaço físico. Fiquei sabendo que os atores não puderam manifestar a sua arte na forma original prevista em roteiro em função da burocracia que reina no patrimônio da velha Estação da Noroeste. Sem comentários.
O espetáculo expõe ainda uma necessidade básica: os nossos artistas precisam de palcos, quer sejam de estruturas mais confortáveis ou até mesmo na forma de teatros de arena espalhados pela cidade. Iniciativas bastante simples, mas que poderão contribuir sobremaneira para a integração das diversas manifestações artísticas da cidade. E a solidificação do movimento cultural já existente aqui será uma conseqüência natural. Então é isso. Merda pra vocês!
Moacir Puga