Recife - Outros seis corpos de vítimas do voo 447 da Air France foram recolhidos pelo navio francês Mistral. Com isso, já são 50 resgates efetuados.
A informação foi passada pela embarcação francesa ontem para a Aeronáutica e para a Marinha. Não há previsão de quando eles serão transferidos para um navio brasileiro nem quando serão levados para Fernando de Noronha (PE). Ainda ontem, navios brasileiros localizaram e resgataram novos destroços na divisa das áreas de controle do Brasil e do Senegal.
O diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diz agora que as operações de busca podem ser prorrogadas até o dia 25, e não serem encerradas no dia 19 -conforme previsão anterior.
Corpos irreconhecíveis
Os 16 corpos das vítimas do vôo 447 resgatados no mar e em processo de identificação em Recife (PE) estão irreconhecíveis, em adiantado estado de decomposição e apresentam sinais de fraturas e ataques de animais marinhos. Entretanto, nenhum deles foi carbonizado ou está chamuscado.
Segundo relatos de militares do destacamento da Aeronáutica no arquipélago de Fernando de Noronha, a maioria dos corpos está inteira. Alguns, porém, estavam sem roupa quando foram resgatados. Até ontem, nenhuma vítima havia sido identificada. Os exames estão sendo feitos no IML (Instituto de Medicina Legal) de Pernambuco por uma força-tarefa formada por peritos brasileiros e franceses.
Dois parentes de vítimas viajaram ontem para Recife, na tentativa de fazer o reconhecimento visual. Em frente ao IML, eles passaram cerca de 15 minutos sob chuva.
“É um direito inegável das famílias ver os corpos’’, diz Nelson Faria, pai de Nelson Marinho, um dos passageiros do vôo 447. “
Apesar dos argumentos, os dois foram impedidos de entrar. Segundo a Polícia Federal, o mau estado dos corpos faz com que um eventual reconhecimento não tenha validade. A PF diz ainda que os familiares sofreriam muito ao ver as vítimas e que do ponto de vista técnico seria impossível permitir o acesso aos corpos de todos os parentes das 228 pessoas desaparecidas.
Ainda segundo a PF, também não será permitido o acesso das famílias aos objetos pessoais encontrados com os mortos. As peças estão lacradas e qualquer alteração poderá ser classificada como “contaminação de prova”, atrapalhando o processo de investigação.