Regional

Barra quer voltar a ser a ‘Capital da Cerâmica’

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A Estância Turística de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) já foi considerada a “Capital da Cerâmica”. As empresas do setor, entre 1960 e 1990, representavam a maior fonte de renda do município e o maior empregador à época. Mas a lentidão dos órgãos responsáveis na aprovação dos processos para autorizar a extração da argila no rio Tietê fez com que o segmento encolhesse. Hoje, são 12 empresas do ramo que empregam cerca de mil pessoas e ainda sonham voltar a ser a “Capital da Cerâmica”.

Para evitar que o setor sofra novas baixas, os ceramistas de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê se reuniram em uma associação. Em conjunto eles tentam agilizar os processos e garantir que as cerâmicas sobrevivam e gerem novas vagas no mercado de trabalho.

O presidente da Associação dos Fabricantes de Cerâmica de Barra e Igaraçu, (Afacebi), Edson Said, argumenta que o segmento poderá voltar ao patamar dos anos 90 na geração de empregos e fonte de renda para o município. “Hoje vivemos uma situação de insegurança. Poderíamos ampliar a produção, mas corremos o risco de não ter matéria-prima para a confecção de telhas, tijolos e lajes, materiais básicos para a construção civil.”

Na opinião dele, a extração de argila deveria ser pauta de ambos os municípios, por ser o maior gerador de empregos permanentes. “A usina Cosan não gera vagas o ano todo. É um trabalho sazonal e a mecanização da cana vai impedir a geração de vagas nesse setor, isso não pode ser esquecido.”

A insegurança do setor, segundo Said, está focada na extração. “Há processos que para serem aprovados demoraram até 10 anos. A associação tenta superar esses obstáculos e se conseguir, tem condições de aumentar a produção e o número de vagas em até 30%.”

Para ele, os empresários do setor ficam com medo de investir porque a qualquer momento pode faltar a matéria-prima. “Se faltar argila, a cerâmica fecha e sua empresa é vendida como sucata. Aqui em Barra Bonita há inúmeros casos de empresas fechadas. Algumas estão paradas aguardando reação do setor. Outras, até desmontaram as fábricas.”

A dificuldade enfrentada na obtenção da matéria-prima fez com que a família Castelari desistisse do negócio, confessa José Angelo Castelari. A família fundou a primeira cerâmica em 1950 e chegou a ter mais três sob sua direção. “Desativamos todas em função desse problema.”

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