Há cerca de 60 anos a extração de argila era livre e nessa época, em Barra Bonita e Igaraçu do Tietê surgiram várias cerâmicas. As telhas e tijolos fabricados em Barra Bonita eram vendidas para o Brasil todo, fato que levou o município a ser intitulado de “Capital da Cerâmica”.
À época, o canal do rio Tietê compreendia mais ou menos 10 a 12 metros, explica o presidente da Afacebi, Edson Said. “Quando construíram o reservatório, o canal aumentou e inundou as áreas onde havia argila anteriormente. Não foi feita a extração para depois inundar. Hoje, a gente pede a extração dessa área que está inundada e que antigamente era argila.”
A associação pediu a extração em algumas áreas e há pedidos de outras pessoas. “A associação vai adquirir áreas e pede novas áreas para futura extração. Nós precisamos de agilidade nos processos, porque hoje somos 12 ceramistas e se a situação persistir, vamos ser menos ainda.”
De modo simples, Said explica o que é feito para a extração da argila. “A argila está sob a água. Na beira do rio é feita uma ensecadeira que vai fechar onde está o barro. O barro é bombeado para fora do rio e só quando estiver seco passa a ser recolhido pela retroescavadeira.”
Onde tinha um metro ou dois de água e nenhuma embarcação entrava passa a ter cinco ou seis metros melhorando a oxigenação da água e a procriação de peixes. O habitat natural atrai aves. Tirou o barro mas não mexeu com a natureza. Nos locais onde não é feita a extração de argila, não há peixes porque a água é muito sossegada.”
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Artesanato
A dificuldade dos ceramistas afeta também quem consome argila em menor escala. Na cidade de Barra Bonita, o material também é usado para a fabricação de produtos artesanais. Há 35 anos, a família Corrêa mantém uma fábrica que hoje é ponto turístico. Os hotéis e agências de turismo levam os visitantes à empresa para ver de perto como são confeccionados os vasos, potes e decoração de jardins.
Atualmente, a empresa tem dois funcionários que somados aos seis integrantes da família modelam a argila para transformá-la em produto decorativo.
Segundo Nivaldo Afonso Romão Corrêa, a empresa também sofre com a falta de extração de argila no município. “Temos uma firma que faz a extração e vende para nós. Porém, nem sempre a matéria-prima está disponível. Nessa situação, temos que recorrer a outros fornecedores, de fora da cidade, o que torna o nosso produto mais caro.”
Ele também acha que se a extração de argila fosse facilitada, os investimentos seguiriam outro caminho. “Não podemos investir no negócio, nem mesmo ampliá-lo, porque não temos segurança de ter matéria-prima.”