Tribuna do Leitor

Cidade civilizada é outra coisa


| Tempo de leitura: 2 min

Estive recentemente visitando Buenos Aires, Argentina, e fiquei maravilhada com essa cidade e, principalmente, com o povo argentino. Suas ruas são arborizadas e, além da beleza e limpeza, a cidade é repleta de grandes áreas verdes, muitos parques imensos com árvores centenárias (não deve haver especulação imobiliária em Buenos Aires, pois aqui em Bauru, até o Aeroclube querem transformar em condomínio), monumentos, flores, gramados aparados e limpos e, pasmem, muitos cães, mas muitos mesmo, com seus donos, sem guias, correndo e brincando em todas as horas do dia.

Nos recantos turísticos como El Caminito, San Telmo, Recoleta e Puerto Madeiro, existem vários cães e gatos “comunitários” (fotos estão disponíveis no dineiarasi@uol.com.br): animais castrados, gordos e saudáveis que vivem nas ruas sob cuidados de moradores ou lojistas. Na porta de nosso hotel, o Etoile (5 estrelas), na Recoleta, dois cães idosos parecidos com o labrador, e um jovem pretinho, dormem todas as noites no tapete de entrada e nunca ninguém se incomodou, turistas ou cidadãos, segundo os funcionários do hotel que são alguns dos “cuidadores” deles.

Mas a surpresa maior foi no “Cemitério de La Recoleta” (também tem fotos), ponto turístico importantíssimo de Buenos Aires, onde estão os mausoléus dos grandes heróis argentinos e de Evita Perón. Lá existem mais de 80 gatos, todos lindos, gordos, castrados e cuidados pela Associação de Proteção Animal. Eles são mansos e meigos, ficam sentados nos bancos e ao lado dos túmulos em todo o cemitério. Segundo o administrador, eles estão lá há muito tempo e são estimados por todos. Nenhum cidadão ou órgão público nunca cogitou em mexer com eles.

Os animais na Argentina são respeitados. Quanta diferença com nossa cidade. Nosso CCZ poderia aprender um pouco com eles, não? A propósito, todas as vezes que estive no Cemitério da Saudade nestes últimos dias vendo dona Maria tratar dos gatos, não consegui contar mais que vinte e poucos animais. Onde será que foram parar os “300” que a Emdurb contou? Será que tem gente que precisa voltar à escola para aprender a contar?

Fico muito entristecida em ver que Bauru é uma cidade que não quer o progresso, e sim o retrocesso: carroças circulando no Centro da cidade, volta à barbárie dos rodeios, volta ao extermínio de cães e gatos no lugar de um programa de controle de natalidade, e logo, logo, teremos algum vereador que, em nome da tradição cultural, vai sugerir que voltem as arenas com leões devorando cristãos. “A educação de um povo se avalia pelo modo como trata os animais” (Humboldt).

Dinéia Rasi Baptista

Comentários

Comentários