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Maçã do amor brilha em junho aos 50 anos

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Abundante principalmente em junho, época farta de arraiais e quermesses, a maçã do amor completa, oficialmente neste ano, 50 anos de Brasil. Mesmo com a variedade de guloseimas típicas das festas juninas, é difícil encontrar quem não se renda ao bom e velho amor caramelizado em forma de fruta.

Para Antônio e Mercedes Munhoz, a prova de que esse sentimento é recíproco - em todo lugar encontra-se um apaixonado pela maçã do amor - , são os tantos anos que o casal bauruense dedica-se à produção e venda do doce. “São mais de 35 anos. No começo, vendíamos muito porque era novidade. Hoje, não é mais novo, mas todo mundo gosta, não tem idade”, contam. “Em casa, também comemos direto e, mesmo depois de tantos anos, não há meio de enjoar”, garantem.

Tímidas, as primas Beatriz Serra, 11 anos, e Letícia Oliveira, 4 anos, não queriam saber de conversa enquanto se lambuzavam com as maçãs do amor. “Elas adoram. Sempre que vêm, pedem”, conta Valéria Serra que acompanhava as meninas numa festa junina no último final de semana.

Depois de assistir à missa, na Paróquia de Santo Antônio, o doce, vendido na tradicional quermesse da igreja, era o que o casal Terezinha e Nelson Grassi procurava. “É para nossa neta, que adora. Sempre que vemos não deixamos de levar uma para ela”, comentam.

Apesar de fazer a guloseima durante todo o ano - “novidade agora é maçã do amor nos casamentos”, comenta dona Mercedes - é em junho que o casal vê as vendas subirem. “Principalmente, por causa das festas juninas e quermesses. Vamos bastante a exposições também”, afirma.

Este mês é sinônimo de dobro de trabalho também para Sandra Antônia dos Santos Nicolau, 32 anos. “Já cheguei a fazer, nesta época do ano, mais mil maçãs em um único dia. Comecei às 5h e só parei às 18h. Você quase não vence fazer. É só começar a esfriar que as encomendas dobram”, conta a doceira, que também prepara outros quitutes como cocadas, paçocas, doce de leite e balas de coco.

Segundo Sandra, é a produção de doces, trabalho que divide com o marido há mais de seis anos, a responsável por boa parte do orçamento da família. “A gente acaba fazendo outros bicos, mas são os doces que garantem a nossa renda”, conta.

Apesar de copiado ao extremo, o doce encontrado em carrocinhas e barraquinhas tem seus segredos. “A principal dificuldade é na hora de dar o ponto certo na cobertura. Antes, fica mole. Depois, queima”, alerta Sandra. Além do “olhômetro”, o que ajuda no preparo da calda caramelizada para cobertura depois de tantos anos de prática é um prato com água. “Eu pingo um pouco da calda na água. Se fizer um ‘barulhinho’ e ela quebrar na sua mão, é porque está boa. Não pode estar grudenda”, ensina.

Espanhola

. Oficialmente, a maçã do amor foi patenteada em São Paulo, por imigrantes espanhóis da família Farre. Os imigrantes, que chegaram ao Brasil em 1954, registraram o doce cinco anos depois.

. O título de exclusividade tem prazo determinado e, depois de alguns anos, cai em domínio público. Foi o que ocorreu com a fruta caramelizada espetada no palito, que ficou eternamente conhecida como maçã do amor.

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