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FAB e Marinha resgatam 50º corpo

Folhapress
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São Paulo - A FAB (Força Aérea Brasileira) e a Marinha localizaram e resgataram ontem mais um corpo de uma das vítimas do acidente com o avião da Air France, que caiu no Atlântico no último dia 31. Com isso, chega a 50 o total de corpos resgatados, informaram os Militares. O Airbus A330, que fazia o voo 447 do Rio a Paris, transportava 228 pessoas.

Ontem pela manhã, os seis últimos corpos resgatados do Atlântico chegaram a Fernando de Noronha (PE), onde passarão por perícia inicial antes de serem levados para identificação em Recife.

Queda “de barriga”

As características e a extensão das lesões encontradas nos corpos de 43 das 49 vítimas do voo 447 da Air France já periciadas em Fernando de Noronha sugerem que ao menos parte do Airbus A330 caiu de “barriga” no mar.

Peritos ouvidos pela reportagem dizem que praticamente 95% dos cadáveres até agora apresentavam fraturas no terço medial das pernas, nos braços e na região do quadril - semelhantes aos verificados em pessoas que caem de grande altura. Na avaliação de legistas, esse é um indício de que alguns passageiros estariam sentados em suas poltronas no momento da queda. Outro sinal é a baixa incidência de traumatismo craniano.

Se o avião tivesse caído de bico, dizem peritos, era de se supor que as vítimas apresentassem ferimentos mais severos na cabeça - sobretudo as que estavam sem o cinto. Também foram detectadas petéquias (lesão de cor avermelhada) nas mucosas de grande parte dos cadáveres. Embora estejam associadas à morte por asfixia, elas podem surgir em outras situações, como politraumatismo. “Sabemos que houve despressurização da cabine, conforme indicou uma das mensagens enviadas pelo avião. Mas ainda é cedo para afirmar que as vítimas morreram por causa disso, mesmo tendo sido encontradas petéquias em muitos dos corpos”, disse um legista.

A quantidade de roupas nos cadáveres - um importante indicativo da dinâmica do acidente - tem variado. Alguns chegaram com trajes completos e outros com pouca roupa. Entre os primeiros 16 corpos retirados do mar, por exemplo, grande parte estava despida ou com roupas mínimas. Anteontem, porém, os legistas descobriram que a maior parte vítimas entregues ao Instituto Médico-Legal (IML) do Recife dessa forma havia sido resgatada pela fragata francesa Ventose, que pode não ter seguido o protocolo brasileiro. “Eles podem ter retirado as roupas para facilitar o resgate ou o transporte dos corpos, mas isso prejudica nosso trabalho, até porque as vestes poderiam fornecer dados importantes, como cheiro de combustível e eventuais queimaduras”, disse outro perito.

Apesar de as pistas indicarem que parte do avião pode ter chegado íntegro ao mar, a hipótese de que o jato se despedaçou no ar continua sendo investigada por legistas do IML e peritos da Aeronáutica. Os trabalhos em Recife estão sendo acompanhados de perto por duas equipes de peritos franceses

Buscas continuarão

As buscas no mar superaram ontem as mil horas. O comando militar voltou a ressaltar que não há prazo para o encerramento das buscas.

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