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Brasil detecta mutação no vírus da gripe A

Clayton Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Instituto Adolfo Lutz, ligado ao governo do Estado de São Paulo, anunciou, ontem, que conseguiu isolar e seqüenciar o vírus da gripe suína - como é chamada a gripe A (H1N1) - e detectou uma nova “estirpe” da doença no Brasil. Os técnicos brasileiros perceberam um padrão diferente para o vírus daquele que foi registrado pelo Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) com base em amostras retiradas de pacientes da Califórnia.

A vacina contra a gripe suína anunciada pela Novartis na última sexta-feira não perderá sua eficácia com a mutação detectada após isolamento e seqüenciamento do vírus pelo Instituto Adolfo Lutz. “A proteína da matriz é inteiramente compatível e não existindo grandes alterações a vacina possivelmente poderá ser eficaz”, afirmou Cecília Simões, responsável pelo seqüenciamento genético do vírus. Apenas se houvesse mudança na matriz - o que não foi detectado - é que a haveria alteração na capacidade de produção dos anticorpos, o que iria vir a reduzir a eficácia da vacina em desenvolvimento.

Segundo pesquisadores do Adolfo Lutz, foi detectado, por intermédio de seqüenciamento genético, que houve mutação na proteína hemaglutinina (o “H” da sigla), responsável pela capacidade de infecção do vírus. A variação revelada passa a ser chamada de Influenza A/São Paulo/H1N1.

Detectar a mutação é um trabalho importante em termos epidemiológicos, pois permite comparar como o vírus se comporta após a infecção. Em todo o Brasil já foram confirmados pelo Ministério da Saúde 79 casos da doença (leia mais nesta página). Todos eles deverão passar pelo mesmo processo do vírus de um paciente de São Paulo que teve material recolhido em abril, após confirmação da doença.

O estudo revelou as 1.701 bases e a análise comparativa indicou a presença de mudanças e alteração de aminoácidos - os “tijolos” que formam as proteínas. A proteína neuraminidase (“N”) não se alterou.

O comparativo entre o que foi isolado em São Paulo e o vírus da Califórnia foi possível após o vírus da gripe suína ser fotografado pelo setor de microscopia eletrônica do instituto - a imagem do vírus foi ampliada em 200 mil vezes, por meio de um equipamento que possui a capacidade de aumentar esse tipo de imagem em até 1 milhão de vezes.

Segundo Clélia Aranda, coordenadora de Controle de Doenças do Instituto Adolfo Lutz, foram avaliadas as estruturas do vírus chamadas constantes - onde não estão previstas mudanças - e as que podem sofrer variação. A mutação na proteína hemaglutinina já era esperada. Ainda é cedo, entretanto, para avaliar o que a mutação venha a significar em termos de virulência - o quanto ela pode ser deletéria - e de capacidade de infecção.

Os técnicos do Adolfo Lutz afirmam que o isolamento do vírus da gripe suína irá contribuir para a produção da vacina e detectar a resposta aos medicamentos antivirais

O trabalho dos pesquisadores do Adolfo Lutz é inédito no Brasil desde o surgimento dos primeiros relatos da gripe suína. Entretanto, ainda não se sabe se ele é raro no mundo ou não, uma vez que pesquisas em banco de dados revelarem existir cerca de 2 mil estirpes diferentes.

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