Articulistas

O aumento do uso de drogas

Fabrício Caetano
| Tempo de leitura: 2 min

Diante da constatação de que houve aumento do consumo de drogas da geração da década anterior para a atual, resta-nos fazer uma grande pergunta: Afinal, o que está sendo feito pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) para impedir que a próxima geração não utilize uma quantidade maior de entorpecentes do que estamos presenciando hoje? Todos os cidadãos têm o dever de questioná-los a este respeito, porque depois não vai adiantar chorar sobre o sangue derramado ou acorrentar os filhos dentro de casa. Nada disso solucionará o problema nem amenizará a dor das famílias.

Convido a sociedade a indagar à Senad, pois, apesar dos resultados negativos acumulados pelas ações governamentais, há mais de uma década as mesmas pessoas comandam as políticas públicas sobre drogas. Neste período, a população viu surgir o crack em São Paulo e se espalhar como epidemia pelo Brasil, sem que nenhuma autoridade conseguisse prever o avanço. Não é apenas tempo que está sendo perdido, mas também as vidas de muitos jovens, tanto dos que hoje são usuários quanto daqueles que irão nascer mergulhados neste cenário degradante e de inoperância do Estado.

O quadro atual é resultado da falta de objetivos das políticas públicas. Afinal, a principal mudança operada pela Senad nesta década foi alterar seu próprio nome de “anti-drogas” para “políticas sobre drogas”. Esta troca assinala dois fatos: aumento da permissividade ao uso de entorpecentes e a admissão da derrota na guerra contra as drogas. Assim, as ações governamentais se tornaram meramente paliativas, quando não somente uma forma de consolar as famílias das vítimas, como quem diz: “Sabemos de sua dor e nos compadecemos. Meus pêsames!”

Enquanto as políticas públicas procurarem unicamente tratar os efeitos, só terão resultados paliativos. É necessário investir pesado contra a causa do uso das drogas que estão envoltas em aspectos tanto econômicos, sociais quanto culturais. Não adianta combater o tráfico e permitir que a demanda continue crescendo. Enquanto houver interesse de consumir, haverá oferta de drogas nas ruas, parques e escolas de todo País. Contudo, como se pode reduzir uma demanda crescente? Simples, interrompendo e invertendo os estímulos sensoriais que despertam o desejo e incentivam o uso. Hoje, estamos imersos numa sociedade que aspira sentir narcose de sensações e não pulsão de vida. Assim, só teremos uma mudança de verdade quando se trabalhar para alterar o padrão comportamental, aceito até aqui como natural.

O autor, Fabrício Caetano, é Consultor de marketing social e comunicação estratégica e jornalista

Comentários

Comentários