A tarde de ontem começou com um acontecimento trágico em Bauru. Um homem de 36 anos entrou em um bar no bairro Higienópolis com um revólver calibre 38, matou duas pessoas, puxou o gatilho contra a própria cabeça e, frustrada a tentativa, foi para casa. Lá, tomou grande quantidade de remédios e tentou se enforcar. O assassino, Alexandre Zambonaro Gonçalves, foi socorrido pelo Resgate dos Bombeiros e foi encaminhado ao Pronto-Socorro da Bela Vista. As vítimas, o proprietário do bar Japa Lalá, Maurício Yamanoi (conhecido como Japa), 41 anos, e José de Nazaré Mendes (o Zé ou Português, também comerciante e pai do proprietário do Bar do Português, Fernando Mendes), 72 anos, morreram no local.
Alexandre “Louco”, como era conhecido o homem que efetuou os disparos, era agente penitenciário e, segundo a família, passava por tratamento após ter desenvolvido um quadro de depressão. Ele frequentava o bar de Maurício, localizado na quadra 7 da rua Constituição, e não costumava causar problemas para o proprietário ou sua equipe de funcionários. Após tentar o suicídio e ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros, chegou inconsciente ao Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista, onde ficou sob custódia da Polícia Militar (PM). No final da tarde, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, onde permanecia até o fechamento dessa edição.
De acordo com testemunhas que estavam próximas ao endereço momentos antes do crime, um homem com uma blusa preta circulava ao redor do bar com uma motocicleta Bandit, também preta. A movimentação suspeita chamou a atenção dos populares, mas ninguém considerou que algo grave estava para acontecer.
Pouco tempo depois, um homem que trabalhava na mes-ma rua do estabelecimento escutou o barulho de cinco tiros, percebeu que os disparos vinham do bar instalado na esquina das ruas Constituição e Hermínio Pinto e se dirigiu ao local.
Neste momento, a testemunha disse ter visto Alexandre saindo do estabelecimento com a arma apontada para a própria cabeça. Então, o assassino teria tentado efetuar 2 disparos. Sem sucesso, Alexandre fugiu. Enquanto isso, a testemunha que trabalhava próxima ao endereço acionou a PM, assim como outras pessoas que escutaram os tiros.
Enquanto o resgate e as viaturas não estavam presentes, populares que estavam nas redondezas conferiram, atônitas, o cenário criado por Alexandre. As duas vítimas estavam no chão do bar, do lado de fora do balcão. Quando a ambulância do Corpo de Bombeiros chegou, ambos já estavam mortos.
Cinco tiros
Segundo a equipe médica que fez o atendimento da ocorrência, Maurício, o proprietário do bar, foi atingido duas vezes no peito e uma vez na axila direita, tendo o projétil atravessado seu corpo e saído pelo outro extremo. Assim como ele, José de Nazaré não resistiu ao levar dois tiros no peito.
Enquanto a reportagem do JC apurava as informações do duplo homicídio, o resgate do Corpo de Bombeiros recebeu um chamado: na quadra 1 da rua Holmes Soares Costa, no Parque União, um homem havia tentado se enforcar com uma corda.
Ao atender esta nova ocorrência, a equipe levou ao conhecimento dos policiais presentes no local do assassinato que o homem que havia tentado suicídio poderia ser o responsável pelos disparos que mataram Maurício e José de Nazaré, no bar do Higienópolis.
O homem que tentou o suicídio foi identificado como o agente penitenciário Alexandre Zambonaro Gonçalves e a equipe da Força Tática da PM deslocada à residência encontrou um revólver calibre 38, além da corda que ele havia usado para tentar suicídio e caixas de remédios que possivelmente havia ingerido. O corpo de José Mendes está sendo velado no Velório São Vicente. O enterro está previsto para as 15h de hoje, no Cemitério Jardim do Ypê. Maurício Yamanoi está sendo velado no Centro Velatório Terra Branca e será enterrado hoje, também no Jardim do Ypê. Até o fechamento desta edição o horário deste enterro estava indefinido.
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Confirmação
Para confirmar se o indivíduo que tentara o suicídio no Parque União era o mesmo que havia deflagrado os tiros no bairro Higienópolis, uma equipe da PM conduziu uma das testemunhas até o Pronto-Socorro do Bela Vista, para onde Alexandre foi levado. Com o reconhecimento por parte da testemunha, o indivíduo ficou sob custódia da PM.
De acordo com o capitão da PM Renato Ramos, até o fechamento desta edição não tinha sido possível esclarecer o motivo pelo qual Alexandre Zambonaro Gonçalves efetuou os disparos contra Maurício e José de Nazaré. Entretanto, Ramos frisou que este caso foi uma ocorrência isolada e que não representa um risco iminente de crescimento da violência na região.
O capitão da PM informou ainda que Alexandre tinha quadro de depressão e tomava medicamentos para controlar a doença. No final da noite de ontem, o estado do agente penitenciário era classificado como grave, com a constatação de uma fratura na coluna cervical proveniente da tentativa de suicídio através de enforcamento.
Ele ficou em custódia sob a responsabilidade da PM, e a Polícia Civil de Bauru deve investigar o caso para tentar encontrar a ligação entre o autor dos disparos e as vítimas (leia mais no texto abaixo). Ainda ontem, Alexandre foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. Quando liberado pelo hospital, o indiciado deve ser encaminhado a um presídio especial que recebe agentes penitenciários.
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Higienópolis vive tarde de tristeza
O duplo homicídio ocorrido na tarde de ontem em um bar localizado na esquina das ruas Constituição e Hermínio Pinto, no bairro Higienópolis, chocou a população da região e atraiu a atenção de populares que se aglomeraram para ver o que havia acontecido naquele ponto tão conhecido.
Quem conhece o Higienópolis de Bauru sabe da tranquilidade que a região representa na cidade. Predominantemente residencial, o bairro não costuma ter registros de ocorrências graves, o que amplia o choque causado pelo acontecimento de ontem.
De acordo com o capitão da PM Renato Ramos, responsável pela região que engloba o Higienópolis, o registro de homicídios em toda a área abrangida pela base do 1º Distrito Policial (DP) chega próximo a zero. “Que eu me lembre, tivemos apenas uma ocorrência do gênero nos últimos tempos. E o caso foi relativo a uma discussão entre dois parentes”, destaca Ramos.
Além de adotar esta característica tão incomum para o dia a dia dos moradores do Higienópolis, onde, diga-se de passagem, é instalada a sede do JC, outro fato que chocou as pessoas, e isso pode se estender para toda a população bauruense, foi a questão das vítimas serem homens bem quistos e populares na sociedade.
José de Nazaré Mendes ficou muito conhecido no bairro, e também de amigos no JC, por sua tranquilidade e seu tradicional açougue, localizado na rua Luiz Aleixo. Com muita serenidade, Zé do Açougue, como era conhecido, costumava frequentar diversos estabelecimentos do bairro, sempre muito popular em todos os locais que passava. Além disso, conquistava as pessoas pela pessoa que era e “pela barriga”, pois trabalhava com muita qualidade o setor de carnes, o que tornava seu negócio mais similar a uma boutique de carnes.
Por sua vez, Maurício Yamanoi chamava a atenção tanto do público mais velho quanto o mais novo. Conhecido por Japa entre amigos e clientes, ele abria suas portas e recebia com atenção os antigos moradores do bairro que gostavam de tomar uma cervejinha durante a tarde enquanto colocavam a prosa em dia com os amigos, mas também atendia os mais jovens que faziam um happy hour ou que gostavam de se entreter durante a noite com a variedade de bebidas, petiscos e mesas de bilhar.
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Amigo lamenta morte trágica de comerciantes conhecidos na cidade
Amigo de longa data dos comerciantes Maurício Yamanoi e José de Nazaré Mendes, o empresário José Alcântara Maringoni Junior, o Ju, ainda tem dificuldades para acreditar na forma trágica com que os dois colegas perderam a vida. Segundo ele, ambos eram pessoas trabalhadoras e corretas e, embora com personalidades diferentes, muito queridos no bairro Higienópolis, onde mantinham seus estabelecimentos.
Mendes, ou Zé, como também era chamado, era pai de Fernando Mendes, dono do Bar do Português, instalado no mesmo bairro, um dos points mais movimentados da cidade e região. Conhecido por suas habilidades com o manuseio de carnes, Mendes mantinha um açougue com produtos diferenciados, que ele mesmo preparava e que se tornaram referência na cidade. Japa era dono do Japa Lalá, bar aberto há cerca de uma década na rua Constituição e muito frequentado por estudantes. “Sou padrinho do filho dele, tínhamos uma amizade muito forte. Ele tinha um temperamento forte, mas era uma pessoa boa”, comenta. Segundo Maringoni Junior, Yamanoi era separado e tinha quatro filhos, os quais sustentou com muito trabalho. “Sempre que podia, passava no bar para conversar com ele. É muito triste saber que ele perdeu a vida dessa forma”, lamenta.
Crescido no Higienópolis, Maringoni Junior conta que conheceu Mendes ainda quando era criança. “Ele era um pai excelente, muito família mesmo, não tinha desavenças com ninguém. Todo mundo que conhecia gostava dele. E também era um profissional de primeira linha, que me ensinou muita coisa. É uma perda irreparável”, afirma.