Desenvolver habilidades empreendedoras não é mais um esforço específico para aqueles que resolvem abrir negócio próprio. Atualmente, algumas empresas já procuram no mercado funcionários com essa característica. O termo intrepreneurship (intra-empreendedorismo) foca justamente os empregados. “Se não for um funcionário que inove, planejador, que tenha comportamento empreendedor, fica para trás”, explica o gerente do escritório regional do Sebrae em Bauru, Milton de Biasi.
Para desenvolver o comportamento, o primeiro passo é fazer uma reflexão pessoal, identificando qualidades e aspectos a serem melhorados, orienta. “Tudo o que você adjetiva pode ser chamado de empreendedorismo. O que é? A pessoa que tem bastante comprometimento, otimista, trabalhadora”, acrescenta. E tais habilidades independem da idade, diz Maria José Conde Cortez, psicóloga organizacional que presta serviço para o Sebrae, Senai e Senac.
“Existem empreendedores natos e os que aprendem, graças a Deus. Empreendedor é um ser social, influenciado pelo meio em que vive. As empresas têm procurado muito. Até pelo fato de serem responsáveis pelas modificações, criações, pelas visões inovadoras. Ele tem um papel otimista dentro da organização, frente a obstáculos internos e externos”, informa.
O problema é que existem dois tipos de empresas, destaca Fátima Motta, professora doutora e sócia-diretora da FM Consultores. A primeira realmente quer pessoas empreendedoras em suas áreas de trabalho. Outras exigem o perfil na seleção, mas no dia-a-dia não dão espaço para isso. “Geram muita frustração”, conclui.
Como identificá-los?
Muitas vezes, o funcionário empreendedor já está dentro da empresa. Resta, então, identificá-lo. Para tanto, é necessário que os gestores das organizações acompanhem a vida profissional de seus colaboradores por meio de programas direcionados de gestão de recursos humanos, explica Daniela Gibin Duarte, diretora da RH Assessoria. De acordo com ela, além de verificar possíveis talentos, a empresa deve proporcionar condições diretas para viabilizarem e concretizarem propostas.
Mas a qualidade positiva pode ter aspectos não tão bons. “O perfil dos profissionais empreendedores é muito dinâmico e as suas expectativas profissionais seguem a mesma linha. As organizações têm dificuldade em corresponder às expectativas desses profissionais por muito tempo e vice-versa. Assim, as empresas correm o risco de perdê-los para a concorrência”, explica.
Um outro risco de contar com tais trabalhadores é o de virarem concorrentes da própria empresa ou de se tornarem indesejáveis. “No mercado atual, os profissionais intra-empreendedores só possuem espaço em uma realidade de empresa também empreendedora. Não adianta a empresa contratar empregados empreendedores sem ter a cultura interna relacionada”, ressalta Duarte.
Ela destaca que os intra-empreendedores são agentes de mudança por meio de seu capital intelectual.
“Não só são importantes na criação e implantação de novos negócios, como também dentro das organizações já consolidadas. Trazem inovações e fazem com que as idéias e projetos virem realidade. Eles fazem toda a diferença entre o sucesso e o fracasso das empresas. O custo de se perder empreendedores é maior que o da simples perda de um técnico qualificado ou até mesmo um administrador de uma área específica”, conclui.
Sonho é necessário
Ninguém discute a necessidade do novo empreendedor desenvolver competências, ter visão de mercado, entender quem é seu cliente, elaborar produtos que atendam necessidades de mercado. Mas para tudo isso, é necessário um outro ingrediente: o sonho.
“Não adianta montar qualquer coisa. Para que o negócio dê certo, é necessário que tenha um sonho. Tenho um sonho de montar uma academia de ginástica porque acho que ela trará qualidade de vida. Ótimo. Aí pode dar certo. É importante a pessoa estar conectada com o negócio. Não adianta nada eu querer montar uma academia de ginástica, se eu acho uma grande bobagem”, avalia Fátima Motta, professora doutora e sócia-diretora da FM Consultores.
Além disso, ela pondera que ser dono do próprio negócio não é para qualquer pessoa, como no caso de médicos, engenheiros, dentistas. No entanto, com dedicação, qualquer talento pode ser desenvolvido, garante.