Tribuna do Leitor

Cancela ALL’a Gambiarra


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Parece até que vou falar de culinária, mas não é este o tema. Se fosse, certamente seria sobre pizzas, que é como tudo insiste em terminar neste país. Mas o que me leva a escrever desta feita é a necessidade de expressar minha indignação (como diz o Pedro) com a ausência de uma cancela no cruzamento da avenida Comendador José da Silva Martha com a linha férrea.

Até aqui nenhuma novidade, não fosse o fato de que a referida avenida passará a contar com 2 pistas e 4 faixas de rolamento, com a conclusão das obras de duplicação, que deverão estar terminadas muito em breve.

Sonhava eu que o bom senso imperasse e que, desta vez, fossem instaladas naquele local cancelas automáticas acompanhadas de farta sinalização. Providência esta que já deveria ter sido tomada há muito tempo.

Hoje, porém, fiquei muito preocupado ao suspeitar que, mais uma vez, nada será feito. Mesmo com aumento exponencial do risco de novos acidentes em função da duplicação da avenida. Pela manhã, policiais militares paravam os carros que passavam pelo local em uma espécie de bloqueio. Nós, motoristas, éramos então abordados por funcionários da ALL devidamente uniformizados que distribuíam “folhetos educativos”, recomendando que tomássemos muito cuidado ao cruzar a linha de trem. Fiquei desolado.

A partir de agora, quando novos acidentes ocorrerem, certamente a empresa alegará que não tem culpa alguma, pois a “preferencial é do trem”, conforme determina o Código Brasileiro de Trânsito e que tal informação consta do folheto distribuído na tal “campanha educativa” efetuada. Ou seja, gasta-se um bom dinheiro contratando panfletistas, gráfica, papel de impressão, tempo de policiais e dos motoristas, tudo isso com o único benefício possível de “tirar o seu (dela) da reta”. Empenho para efetivamente resolver o problema e eliminar o risco, nada. Mesmo reconhecendo o risco potencial existente, pelo menos é o que nos leva a crer, dada a atitude tomada deflagrando tal campanha.

Com certeza o que veremos é a continuidade do jogo de empurra, com a iniciativa privada empurrando a responsabilidade ao setor público e este se recusando a aceitá-la, alegando falta de verbas ou outra desculpa esfarrapada qualquer. De um país que se dispõe a empregar uma fortuna no resgate de corpos de vítimas de um acidente aéreo, não se pode aceitar a recusa de investimentos pífios para garantir a vida de seus cidadãos.

Não me convidem para a inauguração desta obra se não estiver implantada a tão necessária cancela. Prefiro ir plantar batatas. Pelo menos poderei preparar um gnocchi alla bolognese.

Fabio Freire Lara

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