Tem coisa que a gente só encontra nos bares. Doces diversos como suspiro, maria-mole, canudo de leite e tantas outras variedades que nos fazem voltar à infância, quando nossos pais nos incumbiam de ir ao armazém para buscar algo, mas nós sempre retornávamos com um desses deliciosos doces ou salgados, que dificilmente se encontram por aí numa loja de conveniência. Outro produto típico de bares localizados em bairros e vilas de qualquer cidade, inclusive em Bauru, são refrigerantes com sabor tutti-frutti que ficaram conhecidos como tubaína - que na verdade é uma marca criada por um fabricante desse tipo bebida.
Tanto a tubaína quanto o próprio guaraná, envasadas em garrafas semelhante às de cerveja com 600 ml, são facilmente encontradas nesses pequenos comércio. O preço, em média, é 50% inferior ao de uma garrafa de Coca-Cola de 300 ml que custa cerca de R$ 1,50. De acordo com informações da Secretaria Municipal de Finanças, é difícil dizer ao certo o número exato de bares em funcionamento em toda a cidade.
Alguns desses estabelecimentos estão cadastrados como bares, outros como mercearia e até como lanchonete, mas na verdade, todos têm atividade idêntica. Outro problema para se afirmar o número total desses estabelecimentos em funcionamento na cidade é que muitos estão com as portas abertas na clandestinidade, ou seja, estão irregulares.
O que se pode afirmar é que eles são muitos e se multiplicam numa velocidade cada vez maior, principalmente nos bairros. A maior parte dos proprietários desse tipo de comércio afirma ter optado por construir ou fazer um “puxadinho” em frente à sua casa na intenção de conseguir um complemento na renda da família.
Além dos doces e refrigerantes que a gente só encontra nesses locais, os bares estão cada vez mais se especializando em oferecer um petisco diferente para segurar ainda mais o cliente em frente ao balcão. A culinária de boteco, como é chamada, é diversificada e vai desde a simples coxinha, salsicha em conserva ou ovo cozido, até pratos como o mocotó, antigamente encontrados apenas em lanchonetes e locais especializados.
Para conhecer essa saborosa cozinha, a reportagem do JC nos Bairros visitou alguns bares em diversos bairros da cidade e encontrou muita criatividade, além de opções que dão água na boca de qualquer cliente. São salgados como bolinhos de carne seca com massa de mandioca e pastéis fritos assim que o cliente faz o pedido.
Porpeta
Em um bar localizado na rua Santos Dumont, na Vila Lemos, é possível encontrar o tradicional bolinho de carne, conhecido como porpeta, servido frito ou ao molho. No mesmo bar, o espetinho de carne não assada, mas frita, também faz grande sucesso. A proprietária do estabelecimento, que na verdade é mais uma mercearia do que um bar pela diversidade de produtos que oferece, Mitiko Takehara, conta que os clientes adoram as novidades. “A opção de servir um pestico, seja ele qual for, incentiva o cliente a consumir mais refrigerante ou cerveja e a voltar diversas vezes para consumir o produto”, diz.
Takehara conta que vai aproveitar a queda na temperatura para oferecer um prato que todos os anos é bem aceito pelos seus clientes: o caldo de mocotó, feito com mandioca batida no liquidificador e diversos temperos. “A gente não faz muito, nem divulga tanto, faz mesmo para quem já conhece e gosta de tomar o caldo aqui”, explica.
Pelos bares espalhados nos diversos bairros da cidade também é possível encontrar porções de frango, carne de porco, carne bovina, panceta e tantas outras delícias que podem ser saboreadas no balcão com os amigos sempre no final de tarde, acompanhada da bebida preferida de cada cliente.
Há 16 anos, no bar de Antônio Rodrigues de Souza foi feita por brincadeira uma porção de frango na chapa para servir os freqüentadores do bar. Os clientes gostaram tanto que atualmente a porção de frango à passarinho servida no bar do Totó, como é conhecido seu estabelecimento na Vila Pacífico, próximo ao estádio do Esporte Clube Noroeste, é uma das preferidas. A porção, que pode ou não vir acompanhada da mandioca frita, é o carro-chefe do bar. De acordo com Souza, por mês são servidos mais de 1,2 mil quilos de coxa e sobrecoxa de frango em porção. “Além do frango, servimos costela suína, lingüiça calabresa, frios e saladas, mas o frango é o campeão”, garante Totó.