Tribuna do Leitor

Em defesa do diploma


| Tempo de leitura: 3 min

A recém-decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de acabar com a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista é, no mínimo, lamentável e de causar indignação a qualquer cidadão que, ao longo de sua vida, lutou para ter uma formação acadêmica. Pior que a decisão em si foram as justificativas dadas pela advogada do Sindicato Patronal de Rádio e TV e pela maioria dos ministros da “Suprema Corte” que, na verdade, se julgam acima de Deus. Afirmarem que a profissão de jornalista não exige “nenhuma formação técnica específica” é uma atitude conservadora, preconceituosa e que mostra total desconhecimento do dia-a-dia de uma redação.

O próprio ministro das Comunicações, jornalista não-diplomado Hélio Costa, lamentou a decisão do STF e sugere que o Congresso Nacional (Poder mais democrático e legislador deste país) crie um projeto de lei que contemple a exigência de curso superior para o exercício do jornalismo. Mas não é só o ministro das Comunicações que está estarrecido ou perplexo, e sim todos os cidadãos de qualquer profissão que sabem que a ética e a capacitação são indispensáveis para garantir a transparência e o sucesso no resultado final da produção.

Eu mesmo fui vítima da falta de ética por parte de um “colega” de profissão não-diplomado que, ao longo de sua vida, classificava-se como preparado para exercer a profissão de jornalista quando, na verdade, prestava-se serviços obscuros da chamada “imprensa marrom” paga pelo capitalismo selvagem existente em nosso país. Na Justiça, obtive duas vitórias: uma na área cível, onde o réu foi condenado a pagar 75 salários mínimos por calúnia e difamação que jamais irei receber, pois o tal “jornalista experiente” não tem nada em seu nome. Ele também foi condenado em primeira instância na área criminal e recorreu da decisão.

Tenho plena convicção que se tivesse cursado uma faculdade de comunicação não teria agido com total falta de ética e desrespeito à profissão e à sociedade. Mesmo que tivesse recebido os 75 salários mínimos na época do tal “jornalista sem escrúpulo” a indenização não pagaria os danos causados à honra. Será que os oito ministros do STF sabem o que é isso ?

O jornalismo ético exige compromisso com a verdade dos fatos e responsabilidade social. Acredito que, por pior que seja a formação acadêmica em uma faculdade de comunicação, é melhor tê-la do que não tê-la, pois estamos falando de uma profissão onde, a cada dia, se exige mais conhecimento técnico e humanístico. Ou será que qualquer pessoa sabe o que é lead ? Portanto, lamento a decisão da maioria dos ministros do STF, que cada vez mais demonstram estar totalmente distantes da população e em defesa dos interesses corporativos dos proprietários dos veículos de comunicação.

Se eu tinha alguma dúvida que o Brasil vive uma crise institucional, agora não tenho mais. A nossa única e última esperança está no Congresso Nacional, a quem cabe legislar, pois, apesar de gostar de cozinhar, prefiro o sacerdócio do jornalismo, que escolhi e exerço como profissão há 19 anos.

José Eduardo Amantini - jornalista formado pela Unesp-Bauru

Comentários

Comentários