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Surgem responsáveis por varal solidário

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Após peças de roupas aparecerem misteriosamente no canteiro central da avenida Nações Unidas, na semana passada, e penduradas em árvores do Parque Vitória Régia anteontem, ambas as vezes ao lado de um cartaz “Ajude se puder. Retire se precisar”, conforme o Jornal da Cidade noticiou, surgiu quem reivindique a autoria das instalações. Trata-se da “Equipe Varal Solidário” que, por e-mail, informou que a iniciativa é arte urbana e visa levar as pessoas a refletir sobre solidariedade.

O e-mail, logo no início, deixa claro que os nomes dos integrantes da Equipe Varal Solidário não serão revelados porque a intenção dos integrantes não é a promoção pessoal. Também explica que não se trata de projeto experimental de estudantes nem peça de marketing, hipóteses levantadas pelo JC para explicar o surgimento misterioso das peças de roupas em vias públicas.

“O projeto trata-se de uma intervenção urbana, também chamada de street art ou arte urbana, porém com um claro compromisso com a solidariedade”, diz trecho da correspondência eletrônica. Pela frase “Ajude se puder. Retire se precisar” grafada no cartaz em forma de camiseta disposto ao lado das peças de roupas em ambas as vezes acredita-se que o propósito, a priori, é a doação de agasalhos a quem precisa.

Em outro trecho do e-mail os integrantes do “Varal Solidário” opinam sobre a cultura na cidade. “Bauru sofre hoje as conseqüências de anos de atraso no que tange a cultura... faltam investimentos em peças teatrais, artes plásticas, danças, etc.. Nossa intenção é causar a reflexão seja das pessoas que viram as peças seja dos órgãos públicos”, completa.

Ainda na correspondência a equipe afirma que o objetivo não foi entrar em atrito com a prefeitura e que não solicitou autorização para expor as peças de roupas em locais públicos por conta do anonimato. Da primeira vez, as peças de roupas desapareceram, aos poucos, do varal no canteiro central da Nações. A corda, somente com o cartaz, foi retirada pela Emdurb porque estava instalada em suportes de semáforos, o que é proibido por lei.

Na segunda instalação, anteontem, funcionários da prefeitura que cuidam do Parque Vitória Régia recolheram as peças de roupa encontradas penduradas nas árvores pelo fato de nenhum objeto ou peça publicitária poder ser instalada em área verde sem prévia autorização.

Para o psicólogo Sandro Caramaschi, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a intervenção urbana com as roupas realmente chamou a atenção das pessoas, principalmente pelo fato de ter sido divulgada pelo jornal. “Se não fosse pela imprensa, teria ficado restrita a quem passou pelo local e nem todas pessoas podem ter entendido direito do que se tratava. Mas com a divulgação, teve repercussão e isso levou a uma reflexão sobre a doação de agasalhos”, frisa.

Ele pondera, no entanto, que ninguém sabe se as peças de roupas que estavam no varal no canteiro central da Nações Unidas chegaram a quem precisa. “Ficamos sem saber se quem retirou é morador de rua ou não, se precisa, e se alguém chegou a colocar roupas no varal atendendo a chamada do cartaz. Mas é uma intervenção interessante do ponto de vista social porque desperta para a reflexão sobre o tema”, completa.

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“Achei genial”, diz titular da Sebes

Procurada pelo JC, a secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, afirmou que, mesmo antes de saber a explicação para o surgimento de peças de roupas expostas na via pública, aprovou a iniciativa.

“Achei muito inteligente porque realmente chama a atenção da população uma vez que criou expectativa, aguçou a curiosidade. Nós temos a campanha de agasalho oficial, que tem seu formato, e a população de Bauru é muito solidária, mas este tipo de intervenção realmente leva as pessoas a refletir sobre o tema”, disse.

A campanha de agasalho, cuja meta é arrecadar 200 mil peças de roupas, soma cerca de 116 mil itens coletados até agora. De acordo com Darlene, moradores carentes de 50 bairros já foram atendidos. “A maioria das peças doadas está em excelente estado de conservação. Algumas vieram até com a etiqueta. Tivemos muitas doações de empresas”, frisa.

A Sebes continua recebendo agasalhos e dinheiro para comprar cobertores que serão doados a entidades e à população carente. “É muito triste alguém passar frio. Então, esta intervenção das peças de roupas na via pública para quem precisa retirar é muito importante para refletir sobre a campanha do agasalho”, completa.

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