A Embraer é uma das maiores fabricantes de aviões comerciais do mundo - atrás das gigantes Boeing e Airbus. É a líder global em jatos de pequeno e médio porte, posição em que rivaliza com a canadense Bombardier. A empresa foi criada em 1969, como parte de um plano do governo federal de nacionalizar a indústria brasileira.
Sua sede desde aquela época é São José dos Campos, próximo ao Instituto Tecnolóico de Aeronáutica (ITA). Ao longo do último ano, a Embraer entregou 204 aeronaves e possui US$ 19,7 bilhões em pedidos firmes (que já estão garantidos para fabricação e não podem ser mais cancelados) na carteira. Trata-se da terceira maior empresa exportadora brasileira, atrás da Petrobras e da Vale do Rio Doce. Também é a segunda maior importadora - perde apenas para a Petrobras.
No segmento de aviação executiva, produz, por exemplo, os jatos Legacy 600 e Lineage 1000. No mercado de defesa, é produtora do Super Tucano e o EMB 145 AEW&C - aeronave de alerta aéreo antecipado e controle mais avançada e de menor custo do mercado. No segmento comercial fabrica o Brasília - turboélice pressurizado para 30 passageiros e uso em linhas aéreas regionais. Somando os três segmentos, são cerca de 30 modelos.
‘Ventania’
A Embraer registrou lucro de R$ 38,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, valor 75% inferior ao mesmo período do ano passado. Já no quarto trimestre do ano passado, o prejuízo foi R$ 40,6 milhões. Segundo a Embraer, o trimestre passado foi marcado por pedidos de cancelamento de aviões no segmento de aviação executiva e adiamento de entregas no segmento de aviação comercial, “por conta da forte desaceleração econômica mundial”.
“Para se adequar ao novo nível estimado de receita para 2009, a Embraer iniciou um severo programa de corte de custos focado em despesas gerais, incluindo a redução de 20% no quadro de empregados da empresa”, informou a própria Embraer. Em fevereiro deste ano, demitiu 4,2 mil trabalhadores, cujos desligamentos foram aceitos pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
“As pessoas que passaram por isso são dignas do maior respeito. Mas a gente tem que entender que uma empresa, assim como uma árvore, está sujeita à ventania. Foi um vendaval que veio de fora, mas vai se recuperar. É absolutamente normal. De vez em quando, chega alguma ventania para a gente mudar de rumo”, comenta Ozires Silva.
A empresa também enfrentou grave crise financeira em 1990. Passou por um processo de privatização encerrado em 94. Em 2000, a Embraer abriu seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e, seis anos depois, passou por reestruturação societária para se tornar a primeira grande empresa a entrar no Novo Mercado, reservado para empresas comprometidas com práticas diferenciadas de tratamento ao acionista minoritário da Bolsa paulista.
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Fragilidade das Forças Armadas
As Forças Armadas implementaram projeto estratégico de desenvolvimento nacional baseado na industrialização e na construção de um sistema de defesa nacional, segundo artigo publicado pela revista “Tempo Social”, disponibilizado na Internet. O trabalho mostra não ser por acaso a criação da Aeronáutica justamente durante a Segunda Guerra Mundial, quando aumentam as preocupações dos militares e das elites políticas com a vulnerabilidade brasileira.
Não só as Forças Armadas eram mal equipadas, como faltava infra-estrutura de transportes, comunicações e energia, fundamental para a defesa e a industrialização do País. Depois de amplo debate e campanhas, Getúlio Vargas assina o decreto e cria o Ministério da Aeronáutica. Estabelece ainda a fusão das aviações do Exército e da Marinha numa só corporação, denominada Forças Aéreas Nacionais.