Tegucigalpa - O presidente deposto Manuel Zelaya não concedeu ontem, durante entrevista coletiva na sede das Nações Unidas em Nova York, maiores explicações sobre como pretende retomar o poder em Honduras, mas afirmou que não voltará ao país sozinho.
Zelaya disse que regressará a Honduras na quinta ao lado dos presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e Rafael Correa (Equador), além do secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza e do presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D’Escoto.
Principal aliado internacional de Zelaya, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem em Manágua que não acompanhará o hondurenho na viagem de regresso ao país “por prudência”.
“Gostaria de acompanhar Mel (apelido de Zelaya), mas não devo porque dizem que sou o culpado de tudo (a crise em Honduras). Então minha presença pode ser tomada como desculpa para cenários violentos”’, disse.
Questionado se teria algum tipo de proteção para regressar ao país, Zelaya afirmou que só conta com “o sangue de Cristo, minhas convicções e minha conduta de uma vida inteira”.
Zelaya não explicou como pretende convencer os militares que o depuseram a reconhecê-lo no cargo de presidente sem que haja uma onda de violência no país, mas disse que o apoio dos EUA a ele será fundamental para que volte ao poder.
Prisão se voltar
O procurador-geral de Honduras, Luis Alberto Rubí, disse ontem que Zelaya será preso “imediatamente’’ caso cumpra a promessa de regressar ao país na quinta. Segundo ele, o presidente deposto é acusado de 18 crimes, entre os quais “traição à pátria” e “usurpação de funções”, por ter insistido em realizar a votação no domingo.
Apoio ao novo governo
O presidente interino, Roberto Micheletti, reuniu ontem alguns milhares de simpatizantes e o alto comando militar no centro da capital hondurenha, numa tentativa demonstrar que a deposição do ex-aliado Zelaya conta com apoio interno.