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PT se rende às ordens do Planalto

Folhapress
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Brasília - Depois de ter sido enquadrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os senadores do PT liderados por Aloizio Mercadante (SP) se revezaram por três horas e meia no plenário para defender que a aliança com o PMDB é fundamental para garantir a governabilidade, isentar o senador José Sarney (PMDB-AP) de ser o único responsável por “14 anos de atos secretos” e dizer que a crise política não pode se reduzir a uma única pessoa.

“Não há governabilidade sem aliança do PMDB. PSDB e DEM nunca nos deram espaço e é verdade que também nunca demos a eles, mas queremos ter aliança e queremos que ela continue”, disse Mercadante.

Anteontem, o partido havia sugerido o afastamento dele do cargo por 30 dias, mas recuou de formalizar esse pedido como uma posição de bancada diante da ameaça de Sarney de renunciar o que, para o governo, representaria perder o apoio dos caciques do PMDB no Senado e na disputa de 2010.

Mercadante, líder do PT, usou no plenário a tática de jogar para outros senadores a responsabilidade pela crise. “Disse publicamente e quero repetir da tribuna: não me parece uma boa atitude a que estamos assistindo, por exemplo, a atitude da bancada do DEM (de pedir afastamento de Sarney). Estiveram na Primeira Secretaria durante todo o período em que estive nesta Casa. Como simplesmente se retirar neste momento e dizer que a responsabilidade da crise é exclusivamente do presidente? Isso não ajuda”, disse.

Dez senadores apartearam Mercadante, a maioria do PT e no mesmo tom. O senador Delcídio Amaral (PT-MS), que empregou uma sobrinha de Sarney, foi um dos que o defendeu.

A bancada petista se reuniria com Lula ontem à noite. Desde o início da crise, Lula já defendeu Sarney cinco vezes. É a primeira vez que o presidente recebe a bancada para um jantar no Alvorada neste mandato.

Mercadante tentou em vários momentos explicar que a sugestão para que Sarney se afastasse não significava uma imposição e que o partido nunca defendeu a renúncia, mas uma licença. Ressaltou ainda que é preciso assegurar um clima político favorável a Sarney pela “importância histórica que ele tem na vida democrática do país e para esta Casa.”

A instituição está mergulhada numa crise política e administrativa desde fevereiro, quando Sarney assumiu a presidência. Já foram exonerados cinco diretores, entre eles Agaciel Maia, que por 14 anos comandou o Senado.

O presidente do Senado também passou por outros constrangimentos ao admitir que recebia auxílio-moradia irregularmente e que emprestou apartamento funcional a um ex-senador e uma funcionária do gabinete, algo proibido.

Numa ação articulada, os caciques do PMDB não acompanharam o discurso. O líder do partido, Renan Calheiros (AL), passou pelo plenário, concedeu entrevistas e foi embora. Coube ao senador Wellington Salgado (PMDB-MG) representar o partido. “Surge um movimento para tirar Sarney e quem vai assumir, o vice, do PSDB? Podemos reclamar, brigar e discutir, mas a partir desse momento temos de caminhar juntos”, disse. Peemedebistas vêm tratando a defesa pela saída de Sarney como briga entre governo e oposição.

Considerado ao lado da senadora Marina Silva (PT-AC) a principal resistência no partido ao apoio a Sarney, o senador Tião Viana (AC) disse que “Lula terá que dividir com a bancada a responsabilidade” por essa decisão de manter Sarney no comando do Senado. “Não há dúvida de que existe esse risco para o governo (de prejudicar a governabilidade). É esse o dilema que vive a bancada do PT.”

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