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Otimismo cerca o segundo semestre

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Sem que ao menos percebêssemos, o tempo já nos empurrou ao segundo semestre de 2009. Apressado e autoritário, ele também é capaz de fazer brotar esperança. Nas rimas de cada estilo, em ruas, escritórios, lojas e escolas semeou otimismo. Grande parte das pessoas ouvidas em Bauru pela reportagem acredita que o período entre julho e dezembro será melhor em relação aos primeiros seis meses do ano.

Em muitos casos, as boas perspectivas não passam de mera disposição pessoal. Em outros, parte da observação dos vários aspectos da vida. Quem já não leu ou ouviu que a pior fase da crise financeira mundial ficou no passado? Verdade ou não, só mesmo o tempo para confirmar. Graças à experiência que ele nos confere, sabemos de antemão algo alentador: alguns compromissos que pensam bolso, por fim, ficaram para trás.

É o caso do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto de Renda (IR), despesas com matrícula e material escolar, por exemplo. Para quem é assalariado, o segundo semestre ainda reserva o 13.º salário, alegria também para o comerciante.

Aliás, para uma parcela grande da população (formada por alunos, universitários e professores), o segundo semestre começa muito bem - com as almejadas férias do meio do ano. Um prazer legítimo como pede Caetano Veloso na “Oração do Tempo”. Os que rezam para encontrar um emprego também enxergam no segundo semestre uma boa oportunidade.

Mercado de trabalho

A informação é confirmada por Maria Antonia Vieira Soares, doutora em sociologia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). A dissertação dela tratou do tema. “Na angústia do desemprego, a pessoa sempre coloca o segundo semestre como possível de mudar alguma coisa. Coloca uma esperança, uma expectativa mais confortável”, diz. Na opinião da professora, a ruptura entre um semestre e outro cria expectativas.

Mas de fato, as vagas surgem com mais facilidade no segundo semestre, informa Vânia Fernandes, consultora de operação da Gelre, empresa de Recursos Humanos. “Pela experiência de outros anos, a expectativa é que melhore no segundo semestre. Sempre foi assim. Mas a gente não sabe exatamente neste ano mediante à crise, que está passando. Esperamos que acompanhe os anos anteriores”, reitera.

Já quem labuta e aguarda um feriado para dar uma relaxada pode rasgar-se em elogios para o tempo que resta até o final do ano. De julho a dezembro, eles somam dez dias, contando com ponto facultativo – sendo que dia 1 de agosto cai num sábado e 15 de novembro, num domingo. Parte do setor produtivo reclama de tantas interrupções. Parte, lucra. Quem gasta com viagens e passeios, gosta.

Talvez a avaliação da pedagoga Eveline Ignácio da Silva sobre as férias possa ser aplicada também aos feriados. “São importantes. Um momento de dar uma parada”, comenta. Para ela, nos bancos escolares, o segundo semestre é mesmo mais tranqüilo porque alunos e professores já se adaptaram uns aos outros e estão mais focados. É como se os primeiros seis meses do ano letivo fossem para adaptação e os últimos seis meses, de execução.

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