São Paulo - Projeto do Ministério Público de São Paulo, que já está em discussão, quer que os donos dos bares deixem de ser só platéia para exercerem a função de “mediadores de conflitos”. A proposta é transformá-los em instrumento de redução da criminalidade da Capital. Pelo projeto, os proprietários passariam por curso de capacitação, que seria condição para conseguirem o alvará de funcionamento. “Assim como é preciso ter licença para ter uma arma, é preciso ter treinamento específico para ter um bar”, afirma o autor da proposta e promotor do MP, Augusto Rossini, que é coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal.
Rossini é idealizador da Promotoria Comunitária, projeto que começou em 2002 na área do extremo sul de São Paulo (Jardim Ângela, Campo Limpo e Parelheiros) e conseguiu nesses locais reverter drasticamente os índices de assassinatos, com a estratégia, inclusive, de monitorar os bares da região. As histórias que ilustram a proximidade entre os bares e violência são inúmeras. Depois do exagero da cachaça, maridos violentos voltam para espancar esposas, feitos anunciados previamente enquanto consumiam a “branquinha”. Jovens universitários resolvem acertar as contas, após perderem a que contabilizava as cervejas tomadas. Traficantes também costumam escolher os barzinhos como seus escritórios clandestinos.
O “berçário” do projeto “bares mediadores” foi a região de Santo Amaro, na zona sul, para atender um problema trazido pela proliferação de botecos no entorno da Chácara Santo Antônio, depois que duas grandes universidades foram instaladas no bairro. “Elaboramos a proposta de um curso simples de capacitação para que os proprietários possam reconhecer um potencial assaltante e barrar uma violência doméstica”, diz Olivia Augusta Costa, presidente do Conselho de Segurança Comunitária (Conseg) de Santo Amaro, e coautora do projeto. Ela acredita que outros problemas podem ser atenuados, como barulho e sujeira.
Se der certo, é um projeto social que faz o caminho inverso da maioria dos programas: nasce na classe média, mas tem uma enorme abrangência de atuação e, assim, “pode chegar às distantes periferias”, diz.
O curso proposto seria de um dia, ministrado por policias civis e militares, guardas civis metropolitanos e serviria até de proteção aos profissionais, acredita Rossini. “Também são os bares que funcionam como ilhas de segurança para quem chega tarde em casa”, observa.