O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição Federal de 1988 com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde da população. Por meio dele, tornou-se obrigatório o atendimento público a qualquer cidadão, sendo proibidas cobranças de dinheiro sob qualquer pretexto. Fazem parte do sistema centros e postos de saúde, hospitais - incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros, bancos de sangue, além de fundações e institutos de pesquisa.
O SUS é destinado a todos os cidadãos e financiado com recursos arrecadados por meio de impostos e contribuições sociais pagos pela população e compõem recursos do governo federal, estadual e municipal. “Não é tratamento de graça, não é caridade, mas tem que ser revisto. Aquele SUS idealizado há duas décadas virou uma utopia. Está muito distante”, diz a coordenadora do Conselho Gestor da Vila Dutra e representante dos usuários do SUS, Rosemary Lopes de Moura.
De acordo com ela, atualmente o sistema não conta com número de leitos suficientes, nem médicos. Para Rose, a situação só pode ser alterada com sinergia. “Quando ela existe, há interação. Interação entre paciente e profissionais, entre os diversos setores da saúde, da educação, da cultura. Tudo isso é saúde. Não existe ligação entre município, Estado e União. A humanização faz parte desse complexo. Humanização para mim chama-se cidadania, solidariedade, caridade, bondade”, comenta.
Na avaliação de Rose Lopes, a falta de sinergia também pode ser observada entre os vários conselhos de classe, de saúde e até mesmo na Justiça, que enfrenta dúvidas sobre quem acionar em caso de necessidade: município, Estado ou União? “Ninguém conhece nada e um joga para o outro. Nós deveríamos redimensionar tudo isso, até no currículo das universidades”, conclui.
Bruto
A palavra bruto, dentre tantos significados, quer dizer meramente físico, tosco. Trata-se do adjetivo mais usado pelos usuários do SUS (ouvidos pela reportagem) ao classificarem os médicos que os atenderam. Prestaram o depoimento na semana passada, mas informam ser um problema antigo no sistema público. Em muitos casos, a definição foi a única informação clara prestada pelos consultados.
Vários deles, mal conseguiram explicar o problema que os acometeu e por quais serviços passaram. Também relatam comportamentos próprios de agressividade contra os especialistas, acusados de não atendê-los adequadamente. Garantem a realização de exames impróprios, diagnósticos errados e operações desnecessárias. Contam que sobreviveram por sorte pois, além de negligência, também teriam passado fome durante a internação. Desencontradas, as informações não vieram acompanhadas de documentos. Por essa razão, os detalhes e o nome dos denunciantes e denunciados não foram divulgados.