Quem está tentando ingressar em um cargo público tem boas novas. Nos meses de julho e agosto, pelo menos 28 concursos públicos em todo o Brasil estão com inscrições abertas e oferecem 9,8 mil vagas para todos os níveis de escolaridade.
Os salários variam entre R$ 1.302,44, para cargos de nível superior na Prefeitura de Taubaté (SP), e R$ 14.049,53, para procurador do Banco Central. Além das vagas já disponíveis, em alguns concursos haverá também a formação de cadastro de reserva, ou seja, os aprovados serão chamados conforme a abertura de vagas durante a validade do concurso.
Embora a estabilidade e os bons salários do serviço público sejam ótimos atrativos, passar em uma destas provas não é tarefa fácil. A concorrência é alta e, cada vez mais, bem preparada.
“Hoje o funcionalismo público está em alta pelos altos salários, por tudo aquilo que ele representa, pela segurança. E, como o Brasil tem muitas e muitas vagas abrindo, a procura é grande, mas mais pelos cargos de nível técnico e médio. Os concursos de nível superior já demandam outro tipo de dedicação, um maior tempo de estudos. Então, a procura é diferenciada”, explica Marcos Vinícius Casalecchi, coordenador de uma escola preparatória para concursos em Bauru.
Segundo o advogado e professor de cursos preparatórios para concursos, Rodrigo Canda, o número de brasileiros querendo uma vaga em cargos públicos chega à casa dos milhões. “Hoje no Brasil, existem cerca de 5 milhões de brasileiros prestando concursos públicos desde o ensino fundamental, passando pelo médio, até o superior”, afirma.
Desafio
Diante de um desafio tão grande, alguns candidatos optam por estudar em cursos preparatório para concurso público. Fábio Zanetti, de 26 anos, é um deles. Desde que se formou bacharel em direito, no ano de 2007, ele faz cursinho para ingressar em cargos como analista jurídico do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
“O cursinho ajuda você a estar sempre atualizado. Às vezes você está lendo e tem alguma dúvida e pode falar com o professor. Prefiro fazer o curso do que ficar estudando sozinho em casa”, diz.
Em média, este tipo de preparação custa entre R$ 250,00 e R$ 350,00 por mês ao candidato. Casalecchi garante que o investimento compensa. “Fazer um curso é essencial para quem quer um cargo na administração pública. Nós tivemos recentemente um concurso do Ministério do Fazenda, que é de nível técnico, em que a nota de corte foi de 95 pontos. É muito alta. Quem faz o curso sai na frente, vai estar sempre mais atualizado do que aquele que estuda por conta”, pondera.
Zanetti concorda, principalmente porque ele trabalha o dia todo em um cartório e as horas de aula no curso são o momento que ele tem para se dedicar ao estudo. Com três anos de cursinho e seis tentativas no currículo, ele faz planos. “É bem difícil. Tem que ter perseverança e não desistir. Tenho a idéia de me estabilizar e estar dentro (do serviço público) daqui a três ou quatro anos”, conta.
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Segundo especialistas, para ter sucesso é preciso estudar cerca de 6 horas ao dia
Para os profissionais que trabalham com a preparação de candidatos para o ingresso em carreiras públicas, o segredo do sucesso nos concursos é a dedicação. “Não é que o candidato tenha que sumir do mundo, mas ele tem que ter um período do dia no qual ele vai estudar. Hoje, qualquer um que queira passar em um curso bem colocado estuda, no mínimo, seis horas por dia. Não há uma receita, mas o certo é que tudo depende de dedicação. Concurso público não faz distinção de raça, credo, cor, orientação sexual, a distinção é se você está preparado ou não”, diz Marcos Vinícius Casalecchi.
A advogada Lucila Padin Vasconcellos, de 25 anos, que faz cursinho e presta concursos na área jurídica, já coloca em prática o conselho do coordenador. “Eu tinha uma sociedade em um escritório de advogados e saí. Agora trabalho como autônoma e tenho mais tempo para estudar. Estudo umas oito horas por dia”, conta.
O professor Rodrigo Canda acredita que na área jurídica há uma outra dica que também vale muito. “Não comprar livros, não seguir doutrinas, não ler apostilas e ficar longe de resumos. 80% dos alunos aprovados em concurso público leram a lei seca, ou seja, fizeram a leitura da legislação em si”, afirma. Ele explica que materiais prontos como apostilas são interpretações, o que pode prejudicar o entendimento e o desempenho do candidato.