Cena 1 - O casal José Carlos Batata e sua senhora Estela Almagro - não por coincidência, ele vereador, que apóia o atual prefeito de Bauru, e ela a atual vice-prefeita - com acesso sem restrições aos vários recintos do Palácio das Cerejeiras, no dia 10 do corrente, sexta-feira, chega ao terceiro andar da prefeitura, onde localiza-se o gabinete do chefe do Executivo Municipal.
Cena 2 - Os dois, sabedores de que ali, no gabinete do prefeito, estavam em reunião o prefeito Rodrigo Agostinho e a jovem esportista Pollyana Teixeira (PT), titular da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), já então bem tostada em óleo de rícino, aproximam-se da entrada do Gabinete e, “em voz alta... e no momento em que o prefeito Rodrigo Agostinho conversava com a ainda secretária de Esportes... pressionaram pela demissão da moça” (JC, “Entrelinhas”, 11/7).
Cena 3 - Ainda pela manhã, alguns vereadores e coordenadores de esporte tentaram conseguir a permanência da jovem karateca à frente da Semel, mas não conseguiram. À tarde, combalida e ferida em seu amor próprio, Pollyana entregou, demissionária, o seu cargo.
Cena 4 - Desta ópera bufa, exige o libreto a transcrição, ipsis litteris, do tópico “Não foi o PT” da coluna “Entrelinhas” (11/7) do JC: “Jorge Moura, militante do PT, disse que não foi o partido (PT) que decidiu pedir a cabeça de Pollyana, mas sim Estela Almagro e José Carlos Batata. Moura é de outra corrente interna e garante que não houve nenhuma reunião para se discutir um posicionamento no caso da secretária que caiu ontem”.
Em outras palavras, a Daniela Mercury o casal Batata (ou Almagro?) encerra a cena cantando em alto e bom som: “... Quem manda nesta cidade sou eu! O canto desta cidade... é meu!...” E cai o pano...
Comentários: personagem principal de uma ópera, mais que bufa, burlesca (não fosse tétrica), o prefeito deixou escancarada sua personalidade tíbia, insegura, tépida e imatura. Logicamente, governante que tenha tais predicados só pode administrar com esses atributos. Por isso mesmo, sua administração, até agora, pode também com aqueles atributos ser qualificada. Há que se entender e aceitar que o cargo de vice-prefeito, embora eletivo, é um cargo correspondente, no futebol, à regra três, onde o atleta fora de jogo tem assento garantido somente no banco dos reservas, até que seja chamado, por qualquer necessidade, para participar da peleja. Da mesma forma, o lugar do vice-prefeito não é na prefeitura ou nas suas dependências onde a nossa vice-prefeita tem até gabinete. E da mesma forma, também, lugar de vereador é na Câmara Municipal. Não sendo assim, estar-se-á motivando uma interdependência insana e inconveniente (e até inconstitucional) entre os poderes Legislativo e Executivo municipais. Ora, se o alcaide não prescinde da vice-prefeita, que lhe dê uma secretaria. Porque não começar já, entregando-lhe a Semel?! Quem sabe tenhamos, aí, uma revelação! Será que não é por isso que dona Estela lutou?
Que o prefeito tome tenência para que possa cumprir seu mandato até o final, de modo a não prejudicar este já maltratado município. E creiam que por pouco o desrespeito às regras e até mesmo às normas constitucinais ainda não ocorreu. Tenham certeza os senhores leitores que alguns procedimentos legalmente duvidosos já foram evitados por seis ou sete vereadores de nossa Câmara, pelas análises e advertências sóbrias deste Jornal da Cidade e, “last but not least”, por colaboradores desta Tribuna, que tem nos dado oportunidade de exercemos nossa cidadania por meio de um dos poucos canais livres que nos resta: a imprensa livre e descomprometida com politicalhas.
Quem avisa amigo é, senhor prefeito: cuidado com o PT e suas correntes, elos e... grilhões. É assim que eles entendem o que vem a ser o governo, desde as primeiras prefeituras conquistadas pelo partido já há algum tempo, e até mesmo onde agora estão, na presidência da República. Quando eles não têm com quem criar confusões, brigam entre eles mesmos, como está sendo o caso do diretório do PT nesta cidade.
João Guilherme Ortolan