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Dr. Automóvel: Óleo do motor

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Tem coisas que sempre deixam dúvidas nos leitores e fico contente quando entram em contato conosco para esclarecimentos. Sempre teremos o maior prazer em responder.

Meu amigo Marcelo Ferrazolli perguntou outro dia sobre o óleo lubrificante do motor, pois tinha uma dúvida muito comum a outras pessoas. Ele sempre teve carro a gasolina e estava acostumado a trocar o óleo conforme recomendado (por prazo ou quilometragem) e notava que o óleo estava escuro, com aparência de queimado. Agora é o feliz proprietário de um carro Flex e só abastece com álcool. Ao trocar o óleo, notou que este ainda parecia novo, sem estar escuro e queimado como nos motores a gasolina. Isto chamou sua atenção e ficou em dúvida se realmente precisava trocar o óleo agora ou se ainda dava para segurar mais um pouco.

Como esta é uma dúvida que pode ser estendida a muitas pessoas, aí vai uma resposta coletiva. Todo motor permite a passagem de gases da câmara de combustão para o carter, o chamado blow-by, que é normal desde que controlado, como foi explicado na semana passada nesta mesma coluna. Em certas circunstâncias e com o tempo, o combustível não queimado na câmara pode escorrer para o carter, depositando-se no óleo lubrificante. Como a gasolina se mistura com o óleo, ela passa a diluí-lo com o tempo, além de agir como solvente desprendendo as crostas de óleo queimado das paredes internas do motor, o que lhe confere a cor escura e a aparência e cheiro de queimado.

Já com o álcool a coisa é diferente. Mesmo que vaze um pouco da câmara e vá para o carter, o álcool não se mistura com o óleo por não serem miscíveis entre si, ficando separado, da mesma forma que acontece quando misturamos azeite com vinagre, ficam duas camadas separadas. Ao aquecer novamente o motor, o álcool se evapora e sai do carter, deixando o óleo limpo pois não tem a característica de detergente ou de solvente, além do fato de não diluí-lo. Assim, o óleo aparenta estar mais novo do que o similar usado em motor a gasolina.

Na prática, um motor a álcool é sempre melhor lubrificado do que outro a gasolina pelo exposto acima, mas precisamos ter em mente que o óleo não deve ser trocado apenas pela sua aparência, mas quando perder suas características lubrificantes. Isto ocorre por tempo (em média 6 meses) devido ao fato do oxigênio do ar ocasionar sua oxidação ou pela quilometragem rodada, que promove sua queima e perda de viscosidade e capacidade de lubrificação. Mesmo com boa aparência, poderá ter estas características comprometidas. Lembro sempre que todas as informações contidas no manual do proprietário com respeito à manutenção preventiva do veículo foram obtidas após longos testes e avaliações pela Montadora, portanto devem ser seguidos à risca. O filtro de óleo também não deve deixar de ser trocado quando indicado, para evitar que deixe de filtrar as partículas em suspensão no óleo e que estas venham a danificar as partes móveis internas.

Outra dúvida comum sobre o óleo lubrificante do motor é quanto à sua reposição. Quando a vareta de óleo indicar que o nível está próximo do mínimo mas ainda não se atingiu a hora da troca, este deverá ser completado com o mesmo óleo, ou seja, com a mesma especificação SAE de viscosidade e temperatura. De preferência, use também do mesmo fabricante para evitar reações entre os aditivos e detergentes de uma marca com outra, que poderão ser incompatíveis. Completar com qualquer óleo só porque vai trocar daqui a pouco é burrice. Pior ainda é aquele que nunca troca o óleo, só completa o nível e acha que como está colocando óleo novo fica tudo bem... É o espertinho que não cuida do carro e que depois, quando der problemas, passa uma cera na carroceria e vende o carro para outro! Para mim, isso é estelionato do grosso!

Lembre-se sempre que o óleo lubrificante não fica apenas no carter, lá é só um reservatório. Ele circula sob pressão da bomba de óleo para o filtro e dali para uma série de galerias e tubulações no bloco e no cabeçote, indo lubrificar todas as partes móveis do motor onde quer que seja requerido. Qualquer sujeira em suspensão poderá ocasionar entupimento da galeria e deixar de lubrificar um mancal importante, fundindo as peças em contato por atrito. É importante garantir a máxima lubrificação do motor, trocando sempre na hora certa.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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