Geral

Usuários reclamam de longa espera no PS

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 5 min

Mais uma vez, a longa espera para atendimento médico no Pronto-Socorro Central de Bauru é motivo de reclamação entre os usuários. Na tarde de ontem, a reportagem do JC esteve no local à tarde e verificou que mais de 50 pessoas aguardavam na sala de espera. Algumas delas afirmaram estar no local há cerca de 8 horas, sem almoço e sem atendimento.

Esse é o caso de Waldir Donizeti Paulino, que disse ter chegado ao PS às 7h. “Fiquei esperando pelo atendimento e me chamaram apenas às 15h. Acredito que só me chamaram porque viram que os pacientes estavam ligando para os jornais e TVs da cidade para denunciar”, afirma.

Fátima Aparecida Gonzales chegou ao PS às 8h com pressão alta e muitas dores no braço. Às 15h10, ainda não tinha sido atendida. “Eles alegam que não tem médico, por isso a demora”, conta.

Moradora do distrito de Tibiriçá, Maria Aparecida Ferreira de Moura conta que chegou ao pronto-socorro às 10h com labirintite. Às 15h15, ela tinha passado apenas pela pré-consulta e aguardava atendimento com um psiquiatra. Só depois, seria examinada e medicada. Durante entrevista ao JC, Maria quase desmaiou. “É uma vergonha. Vim de Tibiriçá e desde às 10h estou esperando. Não estou me sentindo bem, mas ninguém se importa. Sem contar que estou sem comer”, revela.

Dona Minervina, 78 anos, foi ao PS acompanhada dos filhos, às 10h30. Ela passou por uma cirurgia recentemente para resolver problemas urinários e, às 15h30, tinha passado pela pré-consulta, feito um exame de raio-x e aguardava, na sala de espera, pela continuidade do tratamento. “Fui perguntar para o atendente o motivo da demora para chamá-la novamente e ele disse que não achava a ficha dela. Isso é um absurdo”, disse, revoltada, a filha, que não se identificou.

Já Maria de Fátima Manoel da Rocha há mais de um ano sente dores fortes na perna e aguarda, na fila do posto de saúde, há um ano e meio por uma consulta com ortopedista. Ontem, ela foi ao PS na tentativa de resolver o problema, mas depois de aguardar 5 horas, tomou uma injeção para conter a dor e foi liberada. “Mesmo tendo um ortopedista de plantão, não fui encaminhada ao ortopedista e sofro demais com esta dor. Na hora que eles dão a injeção, a dor passa, mas depois volta tudo. Choro de dor”, afirma.

Todos os usuários entrevistados pelo JC disseram que a justificativa dada pelos atendentes do pronto-socorro para a demora no atendimento é a falta de médicos.

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Bertozo Sabbag, informou que durante todo o dia de ontem, não houve falta de médicos no PS. Segundo ele, no período da manhã trabalharam três clínicos gerais e, à tarde, quatro clínicos gerais, um ortopedista e um cirugião.

“Agora é uma época complicada porque temos vários casos de gripe, resfriado e também de crianças que se machucam brincando durante as férias. Então, a demanda é maior”, revela. “Além disso, por ser férias, às vezes, não conseguimos cobertura de um ou outro profissional (de folga ou férias)”, acrescenta.

Sabbag afirma que apesar da alta demanda, não é para haver grande quantidade de pessoas aguardando por atendimento no PSC. “Nós temos que atender urgência e isso eu garanto que continua sendo atendido em, no máximo, 15 minutos”, afirma. “A informação que me chegou é que pela manhã houve atraso de três horas para as consultas, o que é normal para o pronto-socorro. Mas, à tarde, a espera pela consulta era de duas horas”, complementa.

Segundo o diretor, essas pessoas que há horas aguardavam por atendimento já deviam ter passado pelo pré-atendimento e esperavam por exames ou outras avaliações. “Certamente, quem está há sete horas na fila já foi atendido, mas pode ter sido pedido um raio-x ou outros procedimentos e esses pacientes precisam ser reavaliados. Por isso, ficam aguardando”, finaliza.

____________________

Mulher permanece 13 dias internada no PS

Outro problema enfrentado pelo Pronto-Socorro Central de Bauru é a falta de vagas nos hospitais para transferir pacientes que precisam de internação. Com problemas vasculares, uma senhora de 76 anos ficou 13 dias internada no pronto-socorro.

A filha dela, Ana Maria Pereira da Silva, conta que a perna de sua mãe está preta do joelho para baixo. Além disso, cheira mal. “Eles alegavam que não tinha vaga nos hospitais, mas várias pessoas passaram pelo quarto que ela estava e foram encaminhadas para os hospitais, menos minha mãe”, conta. “Só conseguimos uma vaga no hospital porque uma mulher, muito educada e sensibilizada com a situação, que passou pelo pronto-socorro, entrou em contato com médicos que ela conhecia e também com políticos do município. Ela foi um anjo da guarda”, acrescenta.

Depois de 13 dias, a senhora foi encaminhada ao Hospital de Base, onde permanece internada. “Ela não chegou assim no pronto-socorro, mas, devido à demora, a situação piorou”, revela. “Fui até a Procuradoria do Estado e também fiz um boletim de ocorrência”, complementa Ana.

De acordo com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, a paciente deu entrada no pronto-socorro no dia 6. “Neste período, eu liguei para todos os hospitais pedindo vaga, mas um empurrava para o outro. Então, liguei para a Diretoria do Departamento Regional de Saúde pedindo para que me ajudassem”, conta.

“Nós podemos ficar no máximo 48 horas com o paciente aguardando vaga em hospital, depois disso a situação fica insuportável. Na terça-feira, tínhamos 24 pacientes esperando por vaga e não tínhamos mais cama, maca, espaço para atendê-los”, finaliza.

Comentários

Comentários