Polícia

Bauruenses caem em conto do vigário ao comprar tinta na rua

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

O que era para ser economia acabou se tornando prejuízo para alguns bauruenses. Iludidos pela preço baixo, eles compraram diversas latas de tinta para suas construções. A surpresa foi na hora que abriram os recipientes: a tinta era falsificada. Após ser passada em alguma superfície, sai com água. Apesar de não terem sido feitos testes para saber qual a composição do produto existente na lata, aparenta ser gesso.

Da marca Suvimax, o produto foi apresentado a moradores do Núcleo Octávio Rasi na segunda-feira por dois vendedores, aparentando ter menos de 30 anos, que estavam em uma Montana grafite. Eles venderam a tinta dizendo ser a segunda linha da marca Suvinil.

Uma mulher, cuja identidade será preservada, foi a primeira a comprar o produto. “Eu estava na frente da minha casa, que está em reforma, quando os dois pararam o carro e me apresentaram o produto. A tinta que eles mostraram era de boa qualidade, então resolvi comprar uma lata”, conta. “Chamei minha vizinha, que também gostou do produto e comprou outra lata. Pagamos em dinheiro e as duas latas que nos entregaram estavam lacradas. Elas são perfeitas. Pela embalagem é impossível desconfiar”, acrescenta.

Segundo ela, os vendedores disseram que se tratavam de sobras usadas em uma obra estadual, por isso estavam vendendo a preços mais baixos. Um tapeceiro, que também comprou a tinta falsificada, conta que na loja uma lata de tinta de 18 litros, como as mesmas características do produto vendido na rua custa cerca de R$ 180,00. A tinta falsificada foi adquirida por R$ 70,00. “É uma vergonha contar que acreditamos em uma história dessa, mas precisamos falar para alertar outras pessoas”, alerta.

O tapeceiro também foi surpreendido pelos vendedores no terreno em que está construindo uma nova casa. Ele comprou duas latas e só não teve prejuízo porque pagou em cheque. Quando abriu o produto e viu que a tinta é falsificada, sustou o cheque. “Provavelmente, essa marca nem existe e quem está fazendo isso entende do assunto, pois a embalagem é perfeita e tem todas as especificações. Além disso, ela remete à tinta de marca de boa qualidade encontrada no mercado”, conta.

Os vendedores deixaram um número de celular para os compradores entrarem em contato caso necessário, mas desde segunda-feira, a mulher tenta falar com eles e a ligação cai direto na caixa postal.

A reportagem do JC entrou em contato com a Suvinil e a marca de tintas imobiliárias da Basf - empresa química - informou por meio de nota da assessoria de imprensa que a empresa esclarece que não há qualquer relação entre o produto Suvimax e o portfólio de produtos Suvinil.

A Basf salienta que seus produtos somente são disponibilizados aos consumidores por rede credenciada de distribuidores e revendedores, devidamente identificados pela própria marca Suvinil e, ainda, reitera o compromisso com a qualidade de seus produtos e o respeito aos seus clientes recomendando que, caso sintam-se lesados, entrem imediatamente em contato com as autoridades policiais locais. Por fim, a Basf esclarece que tem tomado as medidas judiciais cabíveis para ter seus direitos resguardados.

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