Mais 12 testemunhas arroladas pela defesa dos ex-policiais militares Lincoln César Cares, Renato Valderramas de Favari e Ricardo Antônio do Amaral depuseram durante toda a tarde de ontem, em audiência realizada no Fórum de Bauru. Uma 13.ª testemunha não compareceu e foi necessário agendar mais uma audiência, marcada para o dia 8 de janeiro do próximo ano. Os ex-policiais respondem pela morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, 22 anos, ocorrida em abril de 2007, e por fraude processual. O rapaz foi morto ao ser perseguido pelos policiais militares.
As testemunhas - dois peritos criminais, dois agentes penitenciários, um auxiliar de enfermagem, um enfermeiro e seis policiais militares - foram ouvidas pelo juiz da 1.ª Vara Criminal, Benedito Antônio Okuno, pela advogada de defesa dos acusados e pelo Ministério Público.
A audiência começou por volta das 14h e terminou pouco depois das 17h. De acordo com Ministério Público, após a última testemunha ser ouvida, em janeiro, serão feitas as alegações finais e então o juiz decidirá se o caso deve ou não ir júri popular. De acordo com a Promotoria, não houve alteração no que foi apresentado.
Para a advogada Fernanda Cabello da Silva Magalhães, que representa os ex-policiais, os depoimentos mostram que os réus agiram em legítima defesa. “Os peritos judiciais esclareceram pontos importantes para a defesa para demonstrar que não houve homicídio”, afirma a advogada.
Ela ressalta que os depoimentos foram esclarecedores. “As testemunhas confirmam que os então policiais agiram de acordo com as normas da polícia, em legítima defesa. E que não tinham nenhuma intenção no evento que causou a morte do rapaz. Eles fizeram uma abordagem e, ao vir a agressão, se defenderam. E as provas estão cada vez mais fortes nesse sentido”, destaca Magalhães.
O advogado Marcos Silvestre, que representa a família do mecânico e atua como auxiliar de acusação, avalia que não há dúvidas de que houve homicídio. “Está mais do que provado que houve homicídio doloso. Agora, só resta ir a júri popular e a família espera a condenação. Os depoimentos de hoje (ontem) pouquíssimo acrescentaram”, afirma.
Ele ressalta que a defesa dos policiais tentou associar a imagem do mecânico à criminalidade. “Ninguém apaga que ele era um trabalhador. Ele estava muito feliz porque tinha até conseguido um emprego melhor. Nada corrobora a tese deles”, afirma. “Outro fato é a expulsão dos policiais da corporação. A própria Polícia Militar avaliou, em processo interno, que a conduta deles foi inadequada e por isso foram excluídos.”
A última audiência de depoimentos está prevista para o dia 8 de janeiro do ano que vem. Em seguida, defesa e Ministério Público farão suas alegações finais e o juiz decidirá se o caso será ou não encaminhado para júri popular.