Se as grandes empresas têm kow how no controle financeiro, o mesmo não se aplica ao orçamento familiar em muitas casas. Curioso é que, em alguns casos, os protagonistas nos dois ambientes são os mesmos. Se no trabalho não dá para relaxar, no aspecto pessoal tem quem deixe de mapear gastos apenas para continuar na zona de conforto. Sem preocupar-se com a otimização de resultados no próprio espaço, as conseqüências são desperdício, estresse e falta de dinheiro em caixa.
“O que eu tenho percebido é que as famílias não se dão conta disso. Não programam gastos. Nas férias, por exemplo, não estabelecem limites, deixam a rotina prevalecer”, comenta o economista Reinaldo Cafeo. De acordo com ele, não é necessário ser exageradamente rigorosa, mas a pessoa tem que, no mínimo, ter uma noção de onde está indo o dinheiro dela. “Não tem outro jeito se não sentar à mesa para fazer contas”, diz. Ele, por exemplo, reserva 30 minutos por dia para atualizar os gastos do dia anterior.
“Checo todos os dias porque têm débitos em conta, tarifas que às vezes não são devidas. Verifico se os cheques caíram. A Internet ajudou muito. Quanto mais tempo leva para a pessoa fazer o controle, menos tem lembra dos gastos”, explica. O economista, por exemplo, junta todos os comprovantes. O hábito já foi incorporado pelas filhas dele. Ainda assim, quando viajam, têm limite de gasto por dia. “Valores acima de certos patamares, elas têm de me ligar para pedir autorização. Tudo isso vai culminar numa rotina mais tranqüila, com qualidade de vida”, pondera.
Surpresas
Organização e planejamento também são fundamentais diante de imprevistos. Com o mapeamento dos gastos, é possível reorganizá-los. “Caso contrário, se continuar na zona de conforto, o cartão de crédito terá de financiar a 400% de juros ao ano. Terá de entrar no cheque especial, que financiará a 150% de juros ao ano. Os efeitos são esses. Alguém vai ter que pagar essa conta”, comenta Cafeo.
Na opinião dele, as pessoas têm muita dificuldade em fazer a migração do que fazem no profissional para o pessoal. “Nas atividades profissionais existe um certo rigor porque a gente é cobrado. Precisamos criar o hábito de nos cobrar também na vida pessoal”, destaca. Quando vai ao supermercado, Cafeo não dispensa a lista, considerada por ele como fundamental. Para controlar os gastos, evita a compra robusta, geral. Num dia, compra produtos essenciais. No outro, de limpeza. Numa terceira compra, supérfluos.
Por incrível que pareça, na opinião dele, o método otimiza o tempo, já que as compras são rápidas por serem específicas.