O consumo de vinho no Brasil é de dois litros per capita há oito anos e não aumenta. Falta de conhecimento da bebida? Questão cultural? Ou o preço que inviabiliza o consumo? Para o importador de vinhos, Antonie Zahil não há questão cultural, porque o brasileiro é descendente de europeu. “Não temos essa questão como na China e Índia , porque os brasileiros são descendentes de italianos e espanhol.”
Na Argentina o consumo per capita é 40 litros, assim como na Europa. O brasileiro toma 20 litros de cachaça e 40 de cerveja. “O que impede que o brasileiro tome vinho, na minha opinião é o preço. Temos uma carga tributária alta sobre a bebida, porque é um produto considerado supérfluo, como o perfume.”
Para que o consumo da bebida deslanche no país, Zahil sugere passar o vinho para produto alimentício, como é na Europa. “A solução é baixar a carga tributária. Cerca de 60% do líquido que está dentro da garrafa são impostos. Na Europa é alimento. Esses impostos cobrados na chegada da mercadoria é como uma cascata que passa do importador, para o restaurante até o consumidor. O vinho chega ao consumidor custando de 7 a 8 vezes o valor cobrado pelo fabricante.”
Para defender a tese, o importador explica que o consumidor que conhece vinho é mais exigente. “Você acostuma com uma bebida e toma todos os dias. Se o vinho for bom, vai custar em torno de R$ 50,00. Uma garrafa por dia vai gerar uma despesa de cerca de R$ 1.500,00/mês. Só as classes mais abastada podem fazer isso. O cidadão comum não vai comprometer 30% do seu salário com vinho.”