Mesmo com a melhoria na renda nos últimos anos, cerca de 68 mil dos 350 mil moradores de Bauru ainda vivem abaixo da linha de pobreza, com menos de um salário mínimo por mês. São pessoas que dependem das 63 entidades assistenciais que atuam na cidade no atendimento à criança, ao adolescente, ao idoso, a portadores de deficiência, a doentes, na geração de emprego, entre outras áreas. Apesar de receberem verbas federais, estaduais e municipais, elas mantêm os serviços graças à solidariedade da população que arca com cerca de 40%, dos gastos destas entidades.
É uma rede de solidariedade que vai desde à doação de produtos ou dinheiro regularmente ou esporadicamente, à contribuição com bazares da pechincha, pastelada, almoços, a eventos grandes que a cada ano contribuem mais com as entidades, como a Festa do Sanduíche Bauru, o Natal Fraternal Confiança e o Arraiá Solidário. São eventos realizados com a participação do empresariado e que representam boa parte dos 40% que as entidades recebem da sociedade e que muito ajudam no custeio dos atendimentos e serviços oferecidos.
“A população tem consciência da importância do voluntariado. Bauru não é uma cidade rica. Ela vive do comércio. Mas, mesmo assim, os empresários doam cada um, pelo menos, um pouquinho. Alguns doam seu esforço físico, outros custeiam as entidades. No fim, todo mundo faz o que pode”, ressalta Edemílson Arias Pinotti, diretor da Associação das Entidades Assistenciais e Promoção Social de Bauru (Aeaps).
Juntas, as 63 entidades assistenciais recebem de verbas governamentais - federal, estadual e municipal - quase R$ 13 milhões por ano. E a sociedade civil colabora anualmente com outros R$ 5 milhões. Parte desta ajuda vem através dos Rotary Club e dos Lions, clubes de serviço que tanto buscam verbas até do Exterior para entidades quanto organizam eventos locais, como jantares, para levantar fundos.
Considerada o maior evento do município em arrecadação para as entidades, a Festa do Sanduíche Bauru será realizada no dia 31 de julho e 1 de agosto, aniversário de Bauru, no Parque Vitória Régia. A expectativa é vender 20 mil lanches e arrecadar R$ 100 mil. A renda será distribuída entre 15 entidades assistenciais.
“Nos últimos anos, com a profissionalização da festa após o Jornal da Cidade e o Grupo Confiança de Supermercados assumirem o marketing e planejamento da festa, a renda da venda dos lanches vai integralmente para as entidades, que não mais precisam comprar os ingredientes”, frisa Pinotti. Todos os ingredientes são pagos pelos patrocinadores da festa. Secretário da Aeaps, Paulo Bufeli, ressalta que se não fosse o patrocínio, inclusive, não seria possível vender o verdadeiro sanduíche bauru a R$ 5,00.
Embora a utilização dos recursos fique a critério de cada uma das entidades, em geral, a verba é utilizado para reformas na estrutura, alimentação e projetos sociais. Os recursos governamentais, por sua vez, são utilizados prioritariamente com a folha de pagamento de funcionários, o maior custo das entidades.
Crianças e idosos, por exemplo, demandam um acompanhamento de perto e por isso, o quadro de funcionários é grande e oneroso. Das 63 entidades associadas à Aeaps, 27 são creches que atendem, em média, 100 crianças cada uma.
O número de atendidos pelas demais entidades assistenciais varia muito, dependendo do perfil da instituição. “Temos entidade que atende 400, 600 pessoas. E outras que oferecem serviço muito específico, para algumas dezenas”, completa Paulo Bufeli.
O diretor da Aeaps estima que as 63 entidades conveniadas emprega 1.200 pessoas, o que colocaria o setor de assistência no 4º lugar entre os maiores empregadores da Bauru. Isto demonstra a importância do setor para a cidade, que além de colaborar com a população de baixa renda, gera postos de trabalhos.
Quem doa pode ter certeza que o dinheiro atinge o destino, frisa ele. Todas as instituições fazem uma prestação de contas, tanto das verbas governamentais quanto das recebidas da sociedade civil, rigorosa ao Tribunal de Contas. Ou seja, cada centavo empregado nos projetos sociais é declarado.
Embora o voluntariado seja de fundamental importância para o funcionamento das entidades assistenciais da cidade, a Aeaps trabalha para que, cada vez mais, as entidades consigam realizar seus serviços por conta própria. “O principal objetivo da associação é profissionalizar estas entidades, fazer com que elas sejam entidades de referência e auto-sustentáveis. O papel do voluntariado é importantíssimo e indispensável, mas ele deve vir a agregar porque as entidades não podem depender só disso”, finaliza Pinotti.