Nas férias escolares, principalmente, as estatísticas não mentem. Aumenta consideravelmente o número de desligamentos de energia elétrica provocados por pipas enroscadas na fiação e por objetos atirados nos equipamentos da rede elétrica. Brincar muito próximo a redes elétricas e utilizar cerol nas linhas representam os maiores riscos de acidentes quando o assunto envolve pipas.
Obviamente, com a chegada das férias, os riscos tendem a se multiplicar. A conta é simples, mais crianças nas ruas, mais pipas no ar e mais riscos. Entretanto, é perfeitamente possível reverter essa ameaça. A primeira providência é escolher um local para brincar longe da fiação elétrica. Contatos das linhas das pipas com os cabos de distribuição de eletricidade podem provocar curtos-circuitos, desligamentos da rede elétrica e choques. Por isso, a melhor maneira de prevenir é afastar essa situação buscando campos, áreas com menos acidentes geográficos, entorno de rodovias ou avenidas de intenso movimento.
Outra situação que deve ser evitada é a mistura de material condutor de eletricidade que se coloca na linha, com a intenção de cortar o brinquedo de terceiros. Além de ser uma atitude não cidadã, esta linha, por conter vidro, oferece riscos de acidentes graves para ciclistas e motociclistas, principalmente por ser de difícil visualização. O uso do cerol é proibido por lei e pode matar.
A imprensa vem registrando, nos últimos anos, um aumento da incidência de acidentes com essas características, razão pela qual algumas cidades já instituíram leis para coibir essa ação perigosa. Em relação à soltura de pipas, algumas regras básicas devem ser respeitadas, para que uma brincadeira tão especial se transforme em preocupação. O brinquedo, obviamente, é inofensivo, mas a forma como é utilizado é que o deixa perigoso.
A primeira grande orientação é somente soltar pipas longe da rede elétrica. Se acontecer de o brinquedo ficar preso na fiação, a melhor coisa a fazer e dá-lo como perdido. A tentativa de recuperar o brinquedo pode provocar desligamentos no fornecimento de eletricidade causar acidentes de grandes proporções, inclusive com vítimas. Caso a pipa enrosque nos fios, é melhor desistir do brinquedo. Subir em telhados ou postes para recuperá-las representa risco de choque, assim como tentar removê-las com canos ou bambus.
Longe de querer acabar com brincadeira tão incorporada na cultura e no folclore brasileiro, as empresas distribuidoras de energia elétrica se sentem na obrigação de fazer esses alertas. Muitos dos desligamentos provocados pelas pipas poderiam ter sido evitados se alguns cuidados básicos fossem adotados, como brincar somente em praças ou campos. A utilização de “rabiolas” deve ser evitada, porque elas se enroscam mais facilmente nos fios elétricos, desligando o sistema e provocando choques. Outra preocupação é em relação ao papel utilizado. Aumenta o risco de acidentes se a opção pelo papel alumínio for utilizada, ou mesmo papel laminado, por serem condutores elétricos, facilitando a ocorrência de curtos-circuitos.
Não é indicado soltar pipas na chuva. O brinquedo funciona como pára-raio, conduzindo energia, assim como não é indicado subir em lajes para empinar pipa, porque qualquer distração pode causar uma queda. Logicamente que todas essas preocupações podem ser multiplicadas atingindo toda a sociedade. É preciso uma mudança de atitude para se evitar acidentes com pipas. Com conscientização e respeito à cidadania, sem prejuízo da liberdade de lazer de toda a sociedade.
O autor, Francisco Carlos Martins, é gerente Regional Noroeste da CPFL Paulista