Pequim - Dois grupos de pesquisadores chineses conseguiram produzir, pela primeira vez, animais vivos a partir de células iPS, as chamadas células-tronco “éticas”, aquelas que não usam embriões.
Os trabalhos mostram que essas células, descobertas em 2006, passaram no seu teste final antes de se tornarem a nova grande ferramenta da biomedicina: o da pluripotência.
Como elas foram capazes de gerar camundongos vivos, isso demonstra que são capazes de se diferenciar em qualquer tipo de tecido no organismo.
Portanto, são tão versáteis para a pesquisa de doenças e para futuras terapias de reposição de órgãos danificados quanto as polêmicas células-tronco embrionárias.
O estudo que conseguiu o melhor resultado foi publicado ontem on-line na revista “Nature” pelo grupo de Fanyi Zeng, do Instituto de Genética Médica de Xangai, e Qi Zhou, da Academia Chinesa de Ciências.
Eles produziram 27 camundongos aparentemente saudáveis - nem todos os testes foram feitos - a partir de três linhagens de células iPS. Os bichos tiveram filhotes e netos também saudáveis.
O outro estudo foi publicado no periódico “Cell Stem Cells” e liderado por Shaorong Gao, do Instituto Nacional de Ciências Biológicas, em Pequim. Gao e colegas obtiveram apenas quatro camundongos, e só um chegou à idade adulta.
“Nós demonstramos a praticidade e confirmamos a pluripotência verdadeira das células iPS”, disse Zeng em entrevista coletiva ontem. Segundo ela, o estudo mostra que as iPS têm “eficiência semelhante à das células embrionárias”.
O que não quer dizer muita coisa: Zeng e seus colegas tiveram de injetar centenas de células iPS em embriões para produzir seus 27 camundongos. O grupo de Gao precisou de 185 embriões para chegar a um único adulto vivo.