Internacional

Interino já admite negociar em Honduras


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Tegucigalpa - Minutos depois que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, desafiou uma ordem de prisão e entrou brevemente ontem em território hondurenho, a vice-chanceler do governo interino do país, Marta Lorena Alvarado, disse que ele assumia a responsabilidade por um possível derramamento de sangue e leu na rede CNN em espanhol um comunicado de sete pontos denunciando a interferência estrangeira no país e afirmando que considera que as negociações mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, continuam.

A proposta de Arias prevê o retorno de Zelaya, deposto em 28 de junho, à Presidência, à frente de um governo de união nacional.

Pouco antes, o chanceler do governo interino, Carlos Lopez Contreras, afirmou que há 85% de chance de que essa proposta seja aceita, e de que o governo aceitaria a antecipação das eleições presidenciais, de novembro para outubro, como propõe Arias, se houver uma forma legal de fazê-lo. As eleições estavam marcadas antes da deposição de Zelaya, e nem o presidente deposto nem o interino, Roberto Micheletti, são candidatos.

Antes de cruzar a fronteira e entrar em território hondurenho, onde permaneceu poucos minutos, Zelaya exigiu que fosse restituído na Presidência, mas criticou aspectos da proposta de Arias que, segundo ele, premiariam os membros do governo interino a quem chamou de golpistas.

“A mim parece que é ridículo que eles dêem um golpe e sejam premiados com perdão e cargos no governo”, afirmou Zelaya, que ainda responsabilizou o governo interino pelo fracasso nas negociações. “Como vamos aceitar uma proposta que o regime golpista não aceita?”

Apesar da abertura para a negociação, a vice-chanceler hondurenha também usou palavras duras contra Zelaya e seus apoiadores. Ela disse que o presidente deposto havia imposto um governo de fato, sem legitimidade legal, quando desafiou a Suprema Corte e insistiu em realizar uma consulta popular que havia sido julgada ilegal pela Justiça, e que recorreu a forças estrangeiras que violaram a soberania hondurenha quando entrou no país hoje.

Zelaya foi deposto nas primeiras horas do dia 28 de junho, dia em que pretendia realizar uma consulta popular sobre mudanças constitucionais que havia sido considerada ilegal pela Justiça. Com apoio da Suprema Corte e do Congresso, militares detiveram Zelaya e o expulsaram do país, sob a alegação de que o presidente pretendia infringir a Constituição ao tentar passar por cima da cláusula pétrea que impede reeleições no país. O presidente deposto, cujo mandato termina no início do próximo ano, nega que pretendesse continuar no poder e se apoia na rejeição internacional ao que é amplamente considerado um golpe de Estado “-e no auxílio financeiro, político e logístico do presidente venezuelano, Hugo Chávez- para desafiar a autoridade de Micheletti e retomar o poder.

Isolado internacionalmente, o presidente interino resiste à pressão externa para que Zelaya seja restituído e governa um país aparentemente dividido em relação à destituição, mas com uma elite política e militar -além da cúpula da Igreja Católica- unida em torno da interpretação de que houve uma sucessão legítima de poder e de que a Presidência será entregue apenas ao presidente eleito nos próximos meses.

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