No editorial do JC de sábado, 25/07, “A crise de Honduras”, o autor, o professor de História Ney Vilela, rema contra a maré. Primeiro, algo meio que inconcebível, um professor de História defendendo golpes militares e dando voltas para tentar fundamentar sua pífia argumentação. Faz um arrazoado histórico até com certa procedência, mas quase no final do texto, algo repulsivo, quando diz: “ acho que Zelaya é um canalha oportunista”. De onde tirou isso? Talvez de sua convicção ideológica contrária a preceitos democráticos, ligada umbilicalmente ao neoliberalismo. Quer dizer que quando um país possui uma Constituição produzida por uma elite minoritária, nenhum governo legalmente eleito pode propor sua alteração? Pode e deve, devendo isso fazer parte do compromisso com a mudança, com a renovação e com o espírito democrático.
Pelo visto o professor Vilela defende governos de uma minoria, em detrimento da participação da grande maioria da população, a massa dos desvalidos. Ensinar História dessa forma é o mesmo que jogar sujeira para debaixo do tapete. Na qualidade de ex-aluno da USC, quando tive aulas com professores muito responsáveis de sua missão educacional, repudio de forma veemente o que li, ainda mais porque o texto foi publicado no mesmo dia em que os mandatários de todos os países componentes do Mercosul, reunidos no Paraguai, haviam se posicionado coletivamente contrários ao golpe de estado. Foi uma pisada e tanto na bola.
Henrique Perazzi de Aquino - professor de história