Regional

Advogado pede revogação de prisão

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - Na tarde de ontem, o advogado Joaquim Paulo Campos, contratado para fazer a defesa do idoso de 70 anos acusado de abusar sexualmente de uma menina de 9 anos em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), entrou com um pedido de revogação da prisão temporária de trinta dias decretada contra seu cliente na semana passada. Até o final da tarde, a Justiça não havia se manifestado em relação ao assunto.

O nome do acusado pelo crime não foi divulgado. Ele também é advogado e não se apresentou à polícia até o momento. É considerado foragido da Justiça. No inquérito policial, conduzido pelo delegado Marcos Jefferson da Silva, além da mãe da criança, de alguns familiares e da própria vítima, também foram ouvidas a atual mulher do acusado, suas duas filhas e uma amiga da família. Se condenado, ele irá responder pelos crimes de atentado violento ao pudor, corrupção de menores e estupro.

Campos não concorda com o pedido de prisão temporária contra seu cliente e alega que ele é inocente. “Eu entendo que meu cliente não cometeu o delito de estupro”, diz. “Existe, juntado nos autos, atestado médico que comprova que ele teve um grave problema de circulação e é impotente sexual. Assim sendo, não houve condições de ter a conjunção carnal”.

Para justificar o pedido de revogação da prisão de seu cliente, o advogado afirma que ele possui emprego e residência fixos, é uma pessoa bem relacionada na cidade, tem 70 anos, é advogado, conhece a lei e é pai de família. “Ele não se apresentou porque quer responder ao processo em liberdade”, explica. “Se, porventura, esse pedido que eu fiz for indeferido, eu vou tirar xerox de tudo o que foi feito e, na segunda-feira, irei a São Paulo entrar com um habeas corpus no Tribunal de Justiça em favor do meu cliente”.

Entenda o caso

Na semana passada, a mãe de uma menina de 9 anos procurou a polícia de Lençóis Paulista para denunciar que sua filha estava sendo vítima de abusos sexuais e ameaças há cerca de um ano. O acusado pelos crimes seria um advogado de 70 anos, que possui uma chácara ao lado de onde a família morava.

A mãe só teria tomado conhecimento da violência praticada contra a filha na semana passada, quando seu sobrinho surpreendeu o irmão da menina, de apenas sete anos, em cima dela, em atitudes sexuais. Diante do fato, e pressionado pela família, o menino acabou confessando que estava fazendo o mesmo que o advogado fazia com sua irmã.

No dia seguinte, a mãe da menina levou ela até uma médica pediatra, que constatou a violência sexual. Em seguida, a polícia foi acionada e solicitou a realização de exames no IML de Bauru. O resultado do laudo constatou que o hímen da garota havia sido rompido já há algum tempo.

Com base nos depoimentos e na prova material, o delegado solicitou a prisão temporária do acusado por trinta dias, que foi deferida pelo juiz. Contudo, o idoso não foi localizado. A mãe da menina afirmou que, em momento algum, desconfiou dos abusos cometidos contra a filha. Segundo ela, o acusado levava seus filhos para passear de carro, nadar em sua chácara e brincar com seus netos.

Para evitar que a menina o denunciasse, o advogado dava a ela e a seu irmão doces, balas e dinheiro. Além disso, ele ameaçava a menina dizendo que, se ela falasse para alguém o que havia acontecido, ela iria trancá-la no banheiro e deixá-la passar fome e sede até que ela morresse. Em algumas oportunidades, a menina chegou a reclamar de dores na barriga e na região genital e a apresentar sangramentos. Mas a mãe alegou que pensou tratar-se do início da menstruação, já que a garota está com o corpo em formação.

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