Cultura

Em busca dos porquês

Da Redação
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Um espaço cênico bem escolhido, uma atuação precisa, uma iluminação competente e um texto de Hilda Hilst são suficientes para criar uma peça inesquecível. É o que mostra o espetáculo “A Obscena Senhora D”, que narra a história da mulher que, aos 60 anos, decide viver em um vão de escada. Lá, se entrega a uma busca incessante pelo sentido das coisas.

Responsável pela pesquisa e adaptação do texto original, a atriz Suzan Damasceno vem ao Serviço Social do Comércio (Sesc) hoje à noite, às 21h, para interpretar a viúva Hillé: a personagem que desiste da vida civilizada e vai viver como um animal após a morte do marido. É no vão de uma escada que Hillé revive momentos do casamento e busca compreender o sagrado, ignorando os limites da sanidade ao confrontar-se com a velhice e o abandono.

Para Rosi Campos, que divide a direção do monólogo com Donizete Mazonas, “A Obscena Senhora D” fala sobre a universalidade. “Ela é ao mesmo tempo sofisticada e popular”, resume Rosi. “Ela fala sobre a vida, sobre tudo. Conversa o tempo todo com o marido e com Deus, que é o que Hillé mais busca”, comenta.

Para criar um clima ainda mais de suspense, o palco traz apenas uma cadeira sob um foco de luz. É ali sentada que a atriz interioriza o estado psicológico da personagem. “Adaptar essa obra era um sonho antigo de Susan. O resultado foi um trabalho minucioso, difícil e bonito porque ela tem muito domínio de como falar da Hilst”, avalia a diretora.

Segundo material de divulgação, com uma interpretação que vai do simples ao épico, com mudanças de entonação e gestos a atriz parece jogar o espectador no meio do texto de Hilda Hilst, considerada uma das mais importantes figuras da língua portuguesa do século 20.

Obra

Hilda Hilst iniciou sua carreira literária em meados da década de 1940. Ao longo de quase 50 anos de atividades, desenvolveu uma vasta obra que inclui poesias, contos, romances e peças teatrais. Entre suas obras mais importantes em poesia estão “Balada de Alzira”, “Trovas de Muito Amor para um Amado Senhor”, “Sete Cantos do Poeta para o Anjo”, “Da Morte - Odes Mínimas”, “Cantares de Perda e Predileção” e “Poemas Malditos, Gozosos e Devotos”; em teatro, “A Possessa”, “O Visitante” e “O Verdugo”; e em prosa, “Fluxo”, “Com Meus Olhos de Cão e Outras Novelas, além de “A obscena senhora D.”

Conhecida pela crítica brasileira como uma das principais autoras e por retratar nossa limitada, frágil e surpreendente condição humana, Hilda Hilst é descrita pelo crítico Anatol Rosenfeld como aquela que “pertence ao raro grupo de artistas que conseguiu qualidade excepcional em todos os gêneros literários que se propôs - poesia, teatro e ficção”.

• Serviço

“A Obscena Senhora D”, com Suzan Damasceno, hoje, às 21h, no auditório (161 lugares) do Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos: R$ 2,00 (trabalhador no comércio de bens e serviços matriculado e dependentes), R$ 4,00 (usuário, estudantes, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 8,00 (demais interessados). Mais informações pelo telefone (14) 3235-1750.

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