Lençóis Paulista – O Grupo Frigol, frigorífico com unidade instalada em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), ingressou sexta-feira com pedido de recuperação judicial solicitando prazo para negociar e quitar suas dívidas antes da decretação de eventual falência. A empresa se recusou a falar em valores, mas confirma queda na produção e demissões.
A Justiça acatou o pedido na segunda-feira. Na tarde de ontem, o sindicato da categoria iniciou as conversas com diretores do grupo Frigol para exigir a garantia do pagamento dos salários do funcionários que continuam trabalhando e o acerto das rescisões dos que foram demitidos.
Procurado pelo Jornal da Cidade, o diretor e sócio da empresa, Djalma Gonzaga de Oliveira, não quis se pronunciar sobre o pedido de recuperação judicial. Um funcionário, porém, confirmou queda na produção e demissões. “A recuperação judicial não é nada mais do que a gente conseguir honrar os compromissos no futuro”, alegou.
Em nota, o Frigol informou que a situação em que se encontra deve-se “à dificuldade em se obter financiamentos baratos para produção, enquanto os lucros das instituições financeiras batem recordes”.
O frigorífico critica a política do Governo Federal de concessão de recursos via BNDES, de acordo com ele, a “três grandes grupos do setor provocando uma concorrência desleal, uma vez que estes, abastecidos de créditos baratos, passaram a praticar uma concorrência desleal em prejuízo direto às pequenas e médias empresas do setor”.
O grupo explica que recorreu à proteção judicial com o objetivo de reestruturar suas dívidas e dar continuidade às suas operações comerciais. Além disso, revela que, dentro de 60 dias contados a partir da concessão da autorização judicial, vai apresentar um plano de reorganização aos seus credores.
Na opinião do presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Bauru e Região, Antônio Carlos de Oliveira Matheus, a crise econômica que atinge o Frigol não está restrita ao grupo. “A situação não é tão ruim como me pareceu num primeiro momento”, avalia. “É um cenário nacional aonde os frigoríficos de médio e pequeno porte, os frigoríficos familiares, vão enfrentar um longo período de turbulência”.
Matheus diz que concorda com as críticas da empresa contra atual política econômica e se nada for feito a situação tende a piorar.
“Virou um monopólio, oligopólio, está se concentrando tudo em duas ou três empresas dentro do país. Vira uma concorrência desleal. O pequenininho não consegue suportar a pressão que o grande exerce com o dinheiro público, o que é pior”.
Cerca de 150 funcionários do Frigol foram demitidos. A empresa possui unidades em Lençóis Paulista, Água Azul do Norte, no Pará, e Pimenta Bueno, em Rondônia