Geral

Alimentos ajudam a melhorar humor

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Manter o ânimo não é das tarefas mais fáceis nos dias de hoje. Ainda mais quando passamos a acumular tarefas, funções e responsabilidades. A pressão é constante e, com ela, vem o mau humor, estresse, depressão, tristeza, irritabilidade, enfim, esses sentimentos capazes de atrapalhar o dia de qualquer pessoa. Isso tornou-se comum. Mas o que poucos sabem é que é possível combater esses sentimentos negativos sem a necessidade de ingerir qualquer medicamento.

Trabalhos científicos recentes mostram que certos alimentos têm o poder de interferir no estado emocional do ser humano e “curar” esses males da alma. São alimentos que ajudam a melhorar o humor e a dar um “chega pra lá” na tristeza porque estimulam a produção de neurotransmissores - substâncias que transmitem impulsos nervosos ao cérebro e são responsáveis pelas sensações de bem-estar e prazer.

Entre alguns desses alimentos, estão os ricos em carboidratos, como arroz, massas, batata, aveia, pão integral; os ricos em triptofano, como a banana, peixes, legumes, cacau, leite e seus derivados; e outros que tenham zinco, como fígado, carnes, feijão, ervilha; vitaminas do complexo B, como cereais, ovos e verduras; ômega 3, como sementes, óleos de linhaça e canola; e vitamina A, que é encontrada na sardinha e no óleo de fígado de bacalhau, por exemplo.

Uma alimentação adequada fornece o combustível necessário para uma boa saúde corporal e mental, o que melhora o estado de espírito de qualquer um.

O papel dos neurotransmissores nesse processo é essencial. Eles agem como mensageiros na comunicação entre neurônios, que precisam de informações o tempo todo sobre o estado do organismo. Os três principais neurotransmissores relacionados com o humor são a serotonina, a dopamina e a noradrenalina.

A serotonina, responsável pela sensação de bem-estar, proporciona ação sedativa e calmante. A dopamina e a noradrenalina produzem energia e disposição. Para que esses neurotransmissores sejam produzidos na quantidade ideal, a ponto de deixar uma pessoa disposta e bem-humorada, é preciso que o organismo tenha uma série de nutrientes. É aí entra a importância de consumir os alimentos certos e de maneira equilibrada.

De acordo com a nutricionista Eliane Petean Arena, cada alimento tem seu princípio ativo - substância que gera um efeito benéfico para o organismo. É como age um medicamento. O estudo das propriedades funcionais dos alimentos aumentou nos últimos anos e os resultados têm servido para orientar os profissionais da área de nutrição na prescrição de cardápios que vão de encontro às necessidades de seus clientes.

“O alimento é a alma do atendimento ao paciente”, afirma Eliane. “Tem alimentos que ajudam a melhorar a auto-estima, deixam o hiperativo mais calmo, mais concentrado, ajuda a combater a gastrite, úlcera, diabetes, câncer... São coisas que auxiliam no equilíbrio emocional”, diz.

A nutricionista lembra que o cacau é um dos alimentos que dá essa sensação de bem-estar e de energia mental. Isso explica porque as pessoas gostam tanto de chocolate. Ela frisa que quanto maior a porcentagem de cacau no chocolate, mais efeitos positivos trará para o organismo. Nesse caso, o chocolate amargo é o mais indicado.

“É um chocolate que não vai engordar (se consumido com moderação, é claro) e vai dar a sensação de bem-estar”, orienta. A porcentagem de cacau contida no chocolate aparece na lista de ingredientes, impressa na embalagem.

Segundo a nutricionista, o damasco, o maracujá e a semente de girassol também são indicados para equilibrar o emocional das pessoas. A quantidade e a freqüência com que esses alimentos devem ser consumidos dependem do organismo e da necessidade de cada um.

“A quantidade de alimentos ingeridos depende muito dos sinais e sintomas que o paciente apresenta. Varia de caso a caso”, comenta Eliane. Na opinião dela, o estudo das propriedades de cada alimento deveria ser matéria obrigatória nas faculdades de nutrição. Ainda mais diante da mudança de comportamento que está havendo nos próprios consumidores.

Após oito anos atendendo em consultório, ela diz que, antes, as pessoas procuravam ajuda de nutricionistas quando estavam doentes. Hoje, elas procuram com o propósito de não ficarem doentes, para uma reeducação alimentar, ou seja, as pessoas estão mais preocupadas em agir de forma preventiva e não apenas curativa. A preocupação com a qualidade de vida aumentou. As pessoas querem viver bem e, de preferência, com bom humor.

Comentários

Comentários