Madri - O governo espanhol confirmou ontem que uma pequena bomba explodiu na praça central da ilha Palma de Mallorca, levando o número de explosões para três. As explosões ocorreram após um alerta por telefone feito em nome do grupo separatista terrorista basco ETA e não deixaram vítimas.
“Houve uma terceira explosão na Plaza Mayor (a praça central), mas foi pequena, mais fraca que as outras duas”, afirmou um porta-voz do governo em Mallorca. Esta série de explosões foi o terceiro atentado atribuído ao grupo ETA nos últimos 15 dias.
Em 30 de julho passado, 60 pessoas ficaram feridas na explosão de um carro-bomba na frente de um prédio da Guarda Civil de Burgos, na Espanha. Grande parte das vítimas ficou ferida por estilhaços de vidro. No dia seguinte, a autoridades culparam o ETA por um novo ataque, contra um carro onde estavam dois guardas civis, que morreram na explosão de uma bomba.
Fontes do governo regional basco informaram que a ligação telefônica avisando sobre as bombas de ontem foi feita à companhia de taxis basca, a Rádio-Taxi Donostia.
O aviso permitiu uma rápida mobilização policial, que isolou uma grande área do passeio marítimo onde se encontrava localizada a pizzaria La Rigoletta, onde foi registrada a primeira explosão. A bomba se encontrava em uma mochila deixada no banheiro feminino do estabelecimento. Segundo a agência Europa Press, o artefato era de pequena potência e não deixou feridos.
O comunicado indicava um total de três artefatos em diferentes estabelecimentos hoteleiros, e que deveriam explodir entre às 14h e às 18h (9h e 13h no horário de Brasília). Pouco depois, a explosão do segundo artefato ocorreu no restaurante-bar Enco, próximo à pizzaria, sob controle dos especialistas em explosivos da polícia local.
A terceira explosão também foi executada sob controle de especialistas e aconteceu em Plaza Mayor, outra área comercial de Mallorca.
ETA
O ETA, que completou recentemente 50 anos de existência, reivindicou na madrugada deste domingo o atentado em que morreram dois guardas civis em 30 de julho na mesma ilha, no dia seguinte a um atentado que deixou 64 feridos em Burgos, norte espanhol.
Fontes antiterroristas citadas pela imprensa espanhola suspeitam que as ações tenham sido cometidas pelo mesmo comando. “Tudo indica que há um comando do ETA em Mallorca”, declarou o procurador do Tribunal Superior de Justiça das Baleares, Bartomeu Barcelo, citado pela imprensa.
Por essa ação, a organização clandestina, classificada como terrorista pela União Europeia, mostrou que sempre esteve presente na ilha, e que estava operacional, mesmo que as bombas tenha sido de pequena potência. O governo socialista de José Luis Rodriguez Zapatero declarou em várias oportuni dades que não negociaria com o ETA e que a organização, que sofreu várias baixas importantes nos últimos meses, seria derrotada pela ação das forças de segurança e pela justiça.
Os três atentados em Mallorca representam também golpes contra a indústria turística, essencial para a economia espanhola, já enfraquecida pela crise econômica. Vários estrangeiros visitam o arquipélago. Em 2008, eles foram 10 milhões, sendo 4 milhões de alemães e 3,4 milhões de britânicos. Mallorca se encontra em pleno apogeu turístico e também é habitual local de veraneio da família real espanhola.