Tribuna do Leitor

A riqueza e a pobreza


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O ótimo artigo do professor Cafeo sobre status, grifes e ostentação (semana passada) caiu como uma luva em meu modo de pensar, com uma pequena ressalva: que não vejo essa situação apenas em tempo de crise. Estou nos 51 (idade da boa idéia, como diz a propaganda), e quanto mais amadureço menos valor dou às coisas materiais. A riqueza e a pobreza sempre existiram, a “casta” superior e os “dalits” da vida também, mas nestes tempos atuais vejo coisas que me fazem refletir.

Já disse em outra ocasião que gosto muito de caminhar ouvindo música e já citei John Lennon com sua música Imagine, pois também imagino um mundo melhor. Em minhas “andanças” pelo meu bairro, passo por uma região onde está ocorrendo um grande nível de crescimento, são várias construções de casas, umas mais belas que as outras. Mas uma, em especial, chama mais atenção que as outras. É uma bela casa pintada em dois tons de amarelo, com uma grande varanda na parte superior toda fechada com esses vidros escuros, desses que só quem está lá dentro vê o que está fora.

A casa é realmente portentosa!

Sua construção é bem interessante e tem um gramado lindo. Está há bastante tempo à venda o que me faz pensar que deve ser bem cara para “nossos padrões”.

Mas tem um detalhe que talvez esteja atrapalhando a venda deste imóvel. Bem em frente, existe um terreno vago, e ao fundo desse terreno, uma pequena favela com algumas casas de madeira bem judiadas.

Voltemos ao assunto inicial, status, grifes e etc... Nestes tempos atuais o que vemos? Todo mundo trabalhando feito louco adoidado para quê? Para morar numa dessas belas casas, ter um carro de “grife”, roupas de “grife” e inclusive seus cachorros ou gatos têm que ter “grife” (que injustiça com os pobres vira-latas da vida, pagam uma grana alta para ter um cachorro, ou gato, de “grife”, com tantos vira-latas por aí, que dão menos trabalho e despesa, por sinal).

Portanto, como disse o professor: o foco é possuir bens a qualquer preço. Como se dissessem: “Vejam, eu posso!”. Acrescento ainda: “Eu tenho!”. Então me pergunto? Como um ser humano sente prazer ao morar em uma bela e espaçosa casa, em frente a uma favela! Ter um belo carro de “grife” quando nessa favela talvez nem bicicleta seus moradores possuam! Ter um belo cachorro de “grife” que vai latir igual aos inúmeros e maltratados vira-latas das favelas? Enfim: podemos considerar isso ostentação? Em minha opinião, considero mais que seja uma ilusão.

O que ocorre hoje em dia é que todos querem porque querem ter esses bens a qualquer custo. Talvez o preço esteja sendo muito alto para essas ilusões. Só se ouve falar em stress, depressão e etc, são crianças que crescem em escolas e por aí vai. Mal se tem tempo de curtir suas belas casas com todos os seus preciosos “bens” dentro delas. As pessoas estão se esquecendo que caixão não tem “gavetas”. Deste mundo não vamos levar nada!

Então deveríamos dar mais valor às pequenas coisas do dia a dia, nos relacionarmos melhor com o mundo em geral, e ver que não é uma roupa, um carro que nos faz um ser humano melhor. Nossa verdadeira casa é esse planeta tão lindo! É por ele que devemos lutar com afinco! Vou citar outra música que amo de paixão: Wonderful world, de Louis Armstrong.

Magali Martiniak Teixeira

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