Desde dezembro de 2006, para facilitar a locomoção das famílias, a coleta de sangue para o teste do pezinho de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), exame realizado em recém-nascidos para detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, é realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O bebê já sai da maternidade com o horário marcado na UBS mais próxima de sua casa para fazer o exame. O problema é que nem sempre o sistema funciona.
Um pai, que preferiu não se identificar, reclama que compareceu, anteontem, com a esposa e o filho, na UBS do Jardim Bela Vista para fazer o teste, no horário marcado. Além de ter ficado esperando mais de uma hora, não conseguiu ser atendido e teve o horário remarcado para ontem. De volta ao posto, somente após duas horas esperando é que a família conseguiu que o exame fosse feito.
O pai temia, inclusive, o contágio da gripe suína - Influenza A (H1N1) -, já que a família ficou muito tempo entre os pacientes que aguardavam consulta.
De acordo com Carla Panice Pedro, coordenadora do laboratório do teste do pezinho da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), responsável pela análise de todos os exames do tipo feitos na cidade, reclamações desse tipo são freqüentes.
“Não é a primeira vez que recebemos reclamações de pais sobre a UBS do Jardim Bela Vista. Quando eles vêm fazer confirmação do exame (procedimento realizado quando há alguma alteração no teste), reclamam de demora e que os mandaram voltar no outro dia”, diz.
A coordenadora do Programa Municipal de Saúde da Criança, Jaíra Maria Rocco Kirchner, disse que não tinha conhecimento de reclamações dessa natureza, mas afirmou que podem ter ocorridos imprevistos ou mesmo o atendimento de casos clínicos prioritários, que tenham acarretado atrasos.
É recomendado que o teste do pezinho seja feito, no máximo, sete dias após o nascimento do bebê. O ideal são 72 horas depois do parto. A necessidade da realização do exame se deve ao fato do diagnóstico precoce oferecer condições de tratamento já nas primeiras semanas de vida do bebê, o que pode prevenir o desenvolvimento de diversas doenças graves, que inclusive podem levar à deficiências mentais.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, todas as 20 UBS de Bauru realizam o teste do pezinho. No primeiro trimestre deste ano, elas colheram material para 290 exames. No laboratório da Apae, que realiza a análise dos exames da rede pública e particular de saúde de Bauru e mais 299 municípios, são realizados 5 mil testes do pezinho por mês.