São Paulo - O Ministério Público Estadual de São Paulo afirma na denúncia apresentada à Justiça que o médico Roger Abdelmassih, 65 anos, pratica crimes sexuais desde o início da carreira, há cerca de 40 anos, e apenas preso irá parar de cometê-los. Esse foi um dos argumentos utilizados pelos promotores para justificar o pedido de prisão preventiva apresentado ao juiz Bruno Paes Stranforini, da 16.ª Vara Criminal. O médico, um dos mais famosos especialistas em reprodução assistida do País, está na carceragem do 40.º Distrito Policial, na Vila Santa Maria (zona norte de SP).
A defesa, que refuta as acusações, entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo para tentar libertar Abdelmassih. A decisão - se ele continua preso - deve ser conhecida hoje.
A afirmação da Promotoria de que o médico pratica crimes desde a década de 70 é baseada no depoimento de uma mulher de Campinas. Ela não teve o nome divulgado no documento. A mulher procurou os promotores para contar que, há quase 40 anos, teve cólicas renais e foi atendida no SUS. Segundo o depoimento, Abdelmassih, no começo de carreira, era o médico de plantão. Segundo a vítima, o médico fez propostas sexuais e passou o pênis por seu corpo. Mencionado pelos promotores como exemplo de que Abdelmassih tem uma personalidade voltada para crimes sexuais, esse caso já está prescrito.
Ao todo, o médico foi denunciado por 56 estupros contra 39 mulheres. Dessas, uma era funcionária da clínica (a primeira a acusá-lo). As demais eram clientes de Abdelmassih.
Pacientes de Roger Abdelmassih relataram à reportagem que o médico é “ético” e “respeitoso” em suas consultas. “Ele é uma pessoa muito atenciosa e sempre dá a mão a todos - a mim, ao meu marido, à minha mãe. Continuo acreditando nele”, disse a advogada Ana Paula Daminello, 38 anos.
Daminello se consulta com Abdelmassih há quase quatro anos e contabiliza cinco procedimentos de fertilização - e afirma que fará o sexto, se possível ainda neste ano, também com ele.
Ela contou que em nenhum momento foi forçada a ficar a sós com o médico, ao contrário do que dizem as supostas vítimas. Nas cinco vezes pelas quais passou por fertilização e recebeu sedativo, disse jamais ter percebido algum tipo de alteração na conduta do médico.