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Apoio a Sarney no Conselho racha PT

Folhapress
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Brasília - Após intervenção direta do Palácio do Planalto na bancada do PT, os senadores petistas deram ontem os votos necessários para arquivar todos os processos contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética.

Com apoio dos três petistas - Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS) e João Pedro (AM) -, os 11 processos contra Sarney foram mantidos arquivados pelo placar de nove a seis em duas votações. Ele era acusado de usar o cargo para cometer irregularidades como a nomeação e exoneração de parentes por atos secretos.

Muitos senadores votaram fora do microfone, visivelmente constrangidos. “Por todos os acontecimentos, isso foi desconfortável”, admitiu o senador Delcídio Amaral (PT-MS).

Em seguida, não só com o apoio do PT, mas também do PMDB, foi arquivado, em definitivo e por unanimidade, o processo contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).

O PMDB foi o autor da representação contra o tucano e, mesmo assim, deu seus três votos para arquivá-la. Eram oito denúncias, entre elas, a de que ele manteve funcionário fantasma no seu gabinete.

O enquadramento petista foi decidido na manhã de ontem, antes da sessão do conselho, durante reunião na sede provisória do governo Lula com o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho.

A posição dos petistas no Conselho de Ética transformou o PT em alvo das críticas e expôs publicamente o racha do partido no Senado por conta da interferência presidencial. “Hoje é o dia em que o PT abraçou Sarney e Collor, e a Marina (Silva, militante histórica do partido) saiu”, resumiu o Pedro Simon (PMDB-RS). “O PT arrebentou hoje sua história”, disse o Demóstenes Torres (DEM-GO). “A bancada petista sofreu uma intervenção branca do Planalto”, acrescentou o líder do DEM, Agripino Maia (RN). O tucano Sérgio Guerra (PE) afirmou que o “discurso petista se divorciou definitivamente da prática”.

As críticas não ficaram restritas à oposição. Vieram até do próprio PT. O senador Flávio Arns (PT-PR) disse que “o PT jogou a ética no lixo” e anunciou que irá ingressar na Justiça para pedir sua saída do partido. “O partido deu as costas à sociedade, às suas bandeiras. Posso dizer que tenho vergonha de estar no PT.”

Líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti ouviu a tudo calada diante da determinação do presidente Lula de salvar Sarney, transmitida mais cedo por Gilberto Carvalho.

Na reunião, o chefe de gabinete presidencial voltou a recorrer ao argumento de que, se o PT não votasse com Sarney, haveria o risco de um rompimento com o PMDB, criando dificuldades para a governabilidade e atrapalhando a aliança para eleger a ministra Dilma Rousseff sucessora de Lula.

Estavam presentes o presidente do PT, Ricardo Berzoini, Mercadante e os três representantes do partido no conselho. Ao final da reunião, ficou combinado que a senha para o voto dos petistas seria uma nota de Berzoini dizendo que o Conselho de Ética não tinha isenção para julgar Sarney e Virgílio.

“A forma como as denúncias concentram-se no presidente do Senado, José Sarney, não deixa dúvidas de que, mais que apurar e reformar, a pretensão é incidir nas relações entre partidos, que apóiam o governo ou que podem constituir alianças para as eleições nacionais e estaduais do próximo ano”, diz a nota de Berzoini.

Inicialmente, o documento seria lido por Mercadante. Só que ele desistiu na última hora, transferindo a missão para o senador suplente João Pedro. A decisão do líder provocou críticas dos petistas no Conselho de Ética. “Ficamos totalmente desamparados pelo nosso líder. Nada do que foi combinado foi cumprido. Fomos para o sacrifício”, disse Delcídio Amaral.

A irritação com a postura de Mercadante aumentou quando ele criticou abertamente na sessão do conselho o apoio de seus colegas a favor da votação em bloco, acertada anteriormente, e condenou a incoerência de seus votos.

Principal interessado, Sarney acompanhou a sessão de seu gabinete. Comentou com assessores que a nota de Berzoini refletia o seu pensamento sobre a crise. Após a sessão, Sarney se reuniu com aliados. Do líder do PMDB, Renan Calheiros, ouviu que ele espera que a oposição entenda a votação unânime a favor de Arthur Virgílio como uma trégua. Caso contrário, a tropa de choque governista retomaria a guerra.

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Apoio do PT ameaça liderança de Mercadante

Brasília - O apoio do PT ao arquivamento de 11 denúncias e representações contra o senador José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética no Senado abriu um racha na bancada do partido na Casa. Petistas acusam o líder da legenda, senador Aloizio Mercadante (SP), de ter descumprido o acordo combinado com a cúpula do PT para a defesa pública de Sarney durante reunião do conselho. Nos bastidores, senadores do partido defendem o seu afastamento da liderança.

Senadores do PT afirmaram que Mercadante fez um “jogo de cena” para a opinião pública: defendeu o afastamento de Sarney publicamente, mas, nos bastidores, se comprometeu em apoiar o arquivamento das acusações contra o peemedebista.

Um senador petista disse que Mercadante recusou-se, por exemplo, a substituir os três integrantes do PT no Conselho de Ética por outros parlamentares da base aliada para evitar o seu desgaste público - já que os novos senadores votariam pró-Sarney.

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), um dos petistas que votou em favor de Sarney, disse que Mercadante tornou a bancada “desamparada” ao recusar-se publicamente a defender o afastamento do peemedebista.

Delcídio criticou Mercadante ao afirmar que o líder havia se comprometido em ler, no plenário do conselho, carta do presidente da legenda, Ricardo Berzoini (SP), em defesa do arquivamento das denúncias contra Sarney. Ao invés de ler a carta, Mercadante falou no plenário do conselho que sua posição era favorável ao afastamento temporário de Sarney.

Dentro do plenário do conselho, Mercadante disse que a bancada do PT “sustentou posição de sugerir ao Sarney que se licenciasse da presidência para permitir que as coisas fossem apuradas para menor exposição da instituição e maior direito de defesa dele mesmo”. O petista disse, ainda, que é favorável à abertura de pelo menos um processo contra Sarney. Os petistas ficaram irritados com a manifestação do líder dentro do plenário do conselho.

Delcídio disse, porém, que o partido não sairá arranhado após a decisão de apoiar o arquivamento de todos os processos contra Sarney.

O senador Aloizio Mercadante (SP) disse ontem que ficará na liderança do PT a pedido da maioria dos senadores da bancada. “Minha vontade era sair da liderança, mas não vou agravar a crise na bancada”, disse o senador, após reunião do partido que contou com sete dos 12 senadores da bancada.

Anteontem, porém, Mercadante afirmou que colocaria o cargo de líder do PT à disposição do partido caso fosse obrigado a nomear os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Roberto Cavalcanti (PTB-PB) para assumirem as vagas da base aliada no Conselho de Ética. Mas, segundo o líder, ninguém se manifestou a respeito. A indicação de Romero Jucá e Roberto Cavalcanti para o Conselho estava sendo articulada pela base aliada ao governo para evitar que os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Ideli Salvatti (PT-SC), suplentes no Conselho, tivessem que se manifestar quanto às ações que foram movidas contra Sarney.

A oposição fez duras críticas à decisão do PT de enterrar as investigações sobre Sarney. O PT era considerado o “fiel da balança” no Conselho de Ética por ter defendido publicamente o afastamento temporário de Sarney no cargo. Se os três petistas votassem com a oposição, haveria apoio suficiente para a instauração de ao menos um processo contra Sarney.

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